FHC prepara pacote para elevar ibope
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quarta-feira, 20 de junho de 2001
Agência Estado De Brasília 
Com a popularidade em baixa e acossado pela precipitação da campanha eleitoral, o presidente Fernando Henrique Cardoso prepara o anúncio de uma série de medidas de caráter essencialmente econômico, mas objetivo político. Na próxima semana, a última antes da trégua esperada com o recesso parlamentar, o Planalto apresentará projetos nas áreas de energia, finanças e tributos incluindo a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Numa ação complementar, os aliados mais fiéis do governo, com destaque para o presidente nacional do PFL, senador Jorge Borhausen (SC), promovem uma ofensiva para que o processo de definição dos candidatos a presidente de 2002 não fuja de forma definitiva do controle de Fernando Henrique. Com toda essa movimentação, o Planalto pretende mostrar que, a despeito das dificuldades, não perdeu a capacidade de governar nem desistiu de manter a unidade da coalizão partidária que vem sustentando Fernando Henrique desde 1994.
Entre as medidas de impacto urdidas pelo governo, figura a reestruturação dos bancos oficiais federais, numa iniciativa que atingirá até gigantes, como o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF). A disposição do presidente é, na medida do possível, entregar ao sucessor as instituições saneadas, evitando deixar esqueletos para a próxima administração e neutralizando críticas.
Apontada nas pesquisas de opinião como o principal fator da crescente impopularidade do governo, a crise de energia receberá tratamento especial do Planalto, que optou por adiar o anúncio do plano de investimentos em usinas hidrelétricas, inicialmente marcado para ontem. A opção de Fernando Henrique foi por apresentar na próxima semana um programa mais abrangente e ambicioso que inclua também metas de aumento da oferta por meio da importação de energia e da construção de usinas termelétricas.
Ainda na próxima semana, Fernando Henrique deve sancionar o projeto que estabelece as regras de pagamento das perdas no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) provocadas pelos Planos Verão e Collor 1. São cerca de R$ 40 bilhões que devem ser pagos para 60 milhões de trabalhadores.
Em relação às propostas encalhadas no Congresso, o Planalto resolveu adotar uma atitude pragmática. A crise na base de sustentação do presidente provocou uma inércia das atividades parlamentares, fazendo com que apenas seis dos 45 projetos relacionados na agenda legislativa do governo para o biênio 2001-2002 tenham sido transformados em lei ao longo deste semestre.
Diante dessa realidade, o governo decidiu enxugar a lista de prioridades, concentrando esforços para acelerar a aprovação de apenas uma dezena de matérias, que precisam estar regulamentadas até o fim do ano para não serem atropeladas de maneira irrecuperável pela corrida eleitoral. Entre as preocupações que o Planalto decidiu preservar, estão a regulamentação do capítulo que trata do funcionamento do Sistema Financeiro Nacional e a que cria uma contribuição de domínio econômico sobre a importação de combustíveis para substituir a Parcela de Preços Específica (PPE).


