Arquivo FolhaFHC: preocupado com o uso do desemprego como arma da oposição Alarmado com o salto na taxa de desemprego anunciado pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o presidente Fernando Henrique Cardoso prepara o anúncio de medidas emergenciais que gerem emprego no País. As medidas serão discutidas numa reunião convocada pelo presidente para a próxima terça-feira com ministros que podem desenvolver ações governamentais geradoras de emprego.
O desemprego será uma das principais bandeiras da oposição durante a campanha eleitoral. O PT acusa o governo de tomar medidas que aumentam o número de demissões de trabalhadores, como a alta das taxas de juros. FHC está preocupado com o assunto porque foi informado pela equipe econômica de que o desemprego deve continuar crescendo nos meses de fevereiro e março, pelo menos. Uma reversão dos números ocorreria apenas no final deste semestre.
O porta-voz da Presidência, Sergio Amaral, anunciou também que o desemprego será o principal assunto da reunião ministerial marcada para o próximo dia 13. A reunião de terça-feira, segundo ele, funcionará como uma ‘‘prévia’’ com a participação dos ministros mais relacionados à questão.
O líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (PSDB-MG), disse que o presidente vai orientar os ministros para que preparem um relatório com medidas práticas que cada pasta pode tomar para combater a crise no mercado de trabalho.
O líder tucano, que esteve ontem com FHC, afirmou que a iniciativa se deve à constatação de que o governo vinha assumindo uma postura ‘‘tecnicista’’ e de ‘‘passividade’’ em relação ao desemprego.
A análise foi feita por um grupo de integrantes do PSDB que se reuniu para debater o problema. Além de Aécio, participaram das discussões o governador do Ceará, Tasso Jereissati, e os economistas Edmar Bacha e André Lara Resende, entre outros.
A preocupação se acentuou com os números do IBGE, divulgados ontem. Segundo o instituto, a taxa de desemprego passou de 4,84% da população economicamente ativa em dezembro de 97 para 7,25% em janeiro. Entre as medidas que podem ser tomadas, segundo Aécio, estão a ‘‘desburocratização’’ de ações do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, o que facilitaria a liberação de recursos para obras e para a agricultura.
Questionado sobre a influência do calendário eleitoral sobre a atitude do governo, o líder tucano afirmou que a iniciativa ‘‘não é eleitoral, é patriótica’’. ‘‘O governo não vai acabar com o desemprego, mas vai fazer o papel dele, vai buscar ações criativas’’, afirmou.

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