O presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, inaugurou ontem a fábrica da Renault, em São José dos Pinhais, com um discurso voltado para a necessidade de integração entre Mercosul e Comunidade Comum Européia. Em seu discurso, que durou 20 minutos, o presidente disse que sua presença na solenidade era um ‘‘simbolismo’’ que mostra o Brasil inserido no Mercosul e a relação do Mercosul com os países europeus. O presidente participou da cerimônia e, antes de iniciar a apresentação de um espetáculo de balé e da escola de samba Mocidade Independente, ele deixou a Renault para embarcar ao Rio de Janeiro.
Fernando Henrique Cardoso não quis atender a imprensa, evitando falar em política. Durante o discurso também não tocou em assuntos polêmicos, preferindo falar das relações internacionais e econômicas do Brasil. ‘‘Nós precisamos desta ponte com União Européia e com a Renault aumentando isso’’, ressaltou o presidente.
Em julho do próximo ano, presidentes e chefes de Estado do Mercosul e Comunidade Européia se encontram no Rio de Janeiro para ampliar as relações comerciais e discutir caminhos para se viabilizar um pacto econômico.
Mas antes de falar na aproximação com países europeus, Fernando Henrique defendeu a integração completa dos países da América Latina. ‘‘Não há como imaginar o desenvolvimento do Brasil sem que haja o desenvolvimento da Argentina, Venezuela, Chile e Bolívia’’, disse. Ele afirmou ainda que a globalização não significa apenas a concentração do progresso econômico, industrial e técnico, em algumas partes do planeta. ‘‘O futuro da globalização depende do equilíbrio entre as partes do mundo’’, disse.
FHC disse que há uma necessidade de haver uma desconcentração da economia mundial, o que permitirá a desenvolvimento dos países mais pobres. ‘‘Tem que haver a dispersão do progresso. É por isso que o Brasil se prepara e se lança com confiança para a aventura do futuro, no qual seremos parte constitutiva da globalização’’, afirmou. Ele disse ainda que o País está em fase de expansão ‘‘pacífica’’, de produção e geração de emprego.
Com um discurso favorável à atração de empresas e à industrialização, o presidente fez elogios ao governo do Estado, que conseguiu a instalação da Renault. ‘‘A Renault nasceu do empenho sonhador do governador Jaime Lerner. O Paraná é exemplo para o Brasil’’, afirmou, após o discurso de Lerner que, em tom quase que de desabafo, disse que o Paraná não poderia mais ficar assistindo à industrialização caminhar para outros Estados.
Um dos pontos que Fernando Henrique Cardoso enfatizou no discurso foi a necessidade de se investir em projetos arrojados. Citou várias obras de seu governo, entre elas a construção da estrada que liga Roraima à Venezuela, o gasoduto Bolívia/Brasil e a Usina de Salto Caxias. ‘‘Temos a consciência da nossa capacidade de construir. Temos capacidade de realização e é nisso que temos de concentrar nossas energias’’, afirmou.

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