Ao melhor estilo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, o presidente Fernando Henrique Cardoso desceu ontem a rampa do Palácio do Planalto, acompanhado por cerca de 2.300 microempresários, em uma clara demonstração de que já está trabalhando pela reeleição. Ao ouvir o segundo discurso do dia defendendo sua reeleição, o presidente sorriu e acenou com a cabeça, agradecendo os aplausos, após levantar as mãos abertas na altura do ombro.
Pouco depois, ao falar aos empresários, em discurso inflamado, como os de campanha, o presidente disse: ‘‘Enfrentamos os poderosos, quebramos bancos, mas salvamos uma moeda brasileira que é o pão de cada dia do brasileiro’’. Sob aplausos, assegurou ainda que não cederá ‘‘um milímetro na estabilidade da moeda’’.
Os microempresários estiveram em Brasília para agradecer a criação do Sistema Ingtegrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Anunciaram ainda o início de uma manifestação em todo o País para que o chamado imposto único seja colocado em prática.
Fernando Henrique encampou a idéia e apelou aos governadores e aos prefeitos. ‘‘Vamos nos juntar ao Simples, é melhor para todos, é melhor para a prefeitura, é melhor para o Estado, é melhor para o Brasil’’. O presidente admitiu que é possível que a receita caia com o imposto único, mas haverá multiplicação das atividades e dos empregos. Fernando Henrique pediu também ao Congresso que aprove a medida provisória que criou o Simples.
O presidente aproveitou o discurso para avisar também aos parlamentares da bancada ruralista que querem trocar o apoio à sua reeleição por alterações nos valores do Imposto Territorial Rural (ITR), que não recuará. ‘‘Nós enfrentamos poderosos lobbies e mudamos a cobrança do ITR, diminuindo o peso do imposto para o pequeno proprietário, diminuindo o peso do imposto para quem produz e aumentando, drasticamente, para quem tem terra improdutiva no Brasil’’, disse ele. ‘‘Isso é o novo Brasil, é o Brasil que presta atenção naqueles que nunca puderam ter voz’’, acrescentou.
O primeiro discurso pela reeleição na solenidade de ontem foi velado. O presidente do Conselho de Administração do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, disse que o Plano Real e a criação do imposto único representaram uma revolução no País, que não pode ser deixada pela metade. ‘‘Por isso, conte com o nosso apoio, o tempo necessário para que esse ciclo revolucionário se complete’’, afirmou Afif. Mais tarde, após descer a rampa, Afif declarou que apóia a reeleição para que Fernando Henrique possa concluir o trabalho que começou.
Em seguida, foi a vez da empresária da moda em peles exóticas de Goiânia, Epolina Passos de Oliveira. Ela foi direta no pedido de reeleição. ‘‘Esperamos que o senhor seja reeleito para que possa continuar nesse trabalho’’, disparou, sob aplausos dos microempresários e consentimento do presidente, que deu um largo sorriso ao agradecer os aplausos. Foi a primeira vez que Fernando Henrique esboçou uma reação no Planalto, durante cerimônia, ao presenciar um apoio à reeleição.
Depois, em um verdadeiro corpo a corpo com os microempresários, o presidente desceu a rampa do Planalto, como Collor fazia toda sexta-feira, quando estava no governo. Entusiasmado, o presidente não se furtou a tirar fotos com os empresários e fez questão de distribuir autógrafos e abraços.

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