Agência Estado
De Brasília
Depois de comemorar ontem, em discurso, a ‘‘queda razoável’’ da taxa de desemprego em setembro, o presidente Fernando Henrique Cardoso fez um apelo a empresários do setor de alimentos, comércio e serviços para que evitem repassar ‘‘aumentos injustificáveis’’ aos preços dos produtos em razão da alta do dólar. Ele argumentou que a economia brasileira importa apenas R$ 50 bilhões e produz R$ 800 bilhões e avisou: ‘‘o peso relativo do ajuste do dólar sobre o conjunto da economia não tem esse valor que muitas vezes se atribui como justificativa para aumentar preços que não podem ser justificados por aí e não devem ser aumentados’’.
Em encontro realizado ontem no Planalto, Fernando Henrique ouviu cinco discursos carregados de elogios e apoio ao governo e algumas reivindicações desses setores. Empolgado com o que chamou de ‘‘renascer do otimismo’’ dos brasileiros, o presidente lembrou o papel dos empresários e da sociedade para evitar a volta da inflação depois da desvalorização do real no início deste ano, pedindo novo empenho agora.
‘‘Nós vamos precisar continuar lutando nesta mesma direção e os senhores continuarão sendo essenciais na negociação para os preços de fim de ano.’’ Fernando Henrique lembrou que a desvalorização da moeda provocou ‘‘ajustes desagradáveis’’ de alguns preços de produtos importados, como o do petróleo, e também aumentos de ‘‘difícil justificativa’’ como o de alguns remédios. ‘‘Mas em termos médios houve a possibilidade de controlarmos aquilo que poderia ser uma espiral inflacionária’’, disse. ‘‘O fato de termos relativamente economia fechada ocasiona problemas, mas deste ângulo é uma defesa: o preço do dólar não é o índice do preço em reais.’’
O presidente abriu seu discurso comemorando a queda das taxas de desemprego em setembro, em comparação com os dados de setembro do ano passado. ‘‘O dia hoje começou auspicioso, pelo menos para mim’’, disse o presidente. Ele fez questão de enfatizar que nos dois meses anteriores os dados já haviam apresentado uma estabilidade na tendência, que até então prevalecia, de agravamento da situação do desemprego.
‘‘Agora é de se esperar que esta tendência se materialize de tal forma que possamos ter um fim de ano melhor para as famílias dos brasileiros’’, disse, acrescentando: ‘‘sobretudo para os mais pobres, para as donas de casa, trabalhadores, os da classe média que têm direito a uma expectativa de um Natal mais feliz’’. Segundo o presidente, os sinais de otimismo em relação ao desempenho do governo ‘‘voltam com mais força no conjunto da sociedade’’ Para Fernando Henrique ‘‘não há razões’’ para os brasileiros não voltarem a ter crença no futuro do Brasil. ‘‘Vencemos batalhas importantes, o povo pagou um preço’’. Na presença dos empresários, Fernando Henrique voltou a afirmar que a atenção do governo está voltada para os pequenos produtores, lembrando diferentes ações do governo para esta área.
Fernando Henrique voltou as reiterar a decisão do governo de manter a tendência de queda dos juros. ‘‘Será uma batalha grande, que não se resolve com uma penada do presidente da República’’, disse,

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