O presidente Fernando Henrique Cardoso atribuiu o aumento do índice de desemprego no País à crise asiática e apelou aos empresários para que não demitam. Segundo o IBGE, o desemprego aumentou de 7,94% em abril para 8,20% em maio, o pior índice desde maio de 84. ‘‘É preciso fazer um esforço conjunto e os empresários devem fazer um esforço para não demitir’’, disse Fernando Henrique, para quem o Brasil tem condições de resolver o problema do desemprego investindo mais e tendo mais confiança.
‘‘No segundo semestre, supondo-se, como eu suponho, que a situação externa fique estabilizada, nós vamos poder ter melhores condições’’, declarou o presidente. ‘‘Em algumas coisas nós temos que nos dar as mãos, uns aos outros, em vários níveis, e, como eu falei, o Brasil tem muitas condições para resolver o desemprego; tem que investir mais, ter confiança e avançar.’’
O ministro do Trabalho, Edward Amadeo, disse ontem que os índices de desemprego, ‘‘com certeza’’, começam a declinar a partir do mês de julho, e que a taxa do mês passado - que está sendo apurada - já deve retratar esta reversão. O índice de junho somente será conhecido ao final deste mês. Ele garantiu que indicações mais concretas para a recuperação do nível de emprego ocorrerão somente a partir do segundo semestre.
O ministro justificou esta expectativa argumentando que a possibilidade de recuperação de empregos acompanhará um melhor desempenho da economia ao longo dos próximos meses. Segundo ele, o crescimento de emprego está vinculado à questão macroeconômica, com a retomada do desenvolvimento econômcio, ao avanço tecnológico e de educação, a partir da execução de programas de treinamento de mão-de-obra.
Para Amadeo, é preciso ter cuidado com a análise dos diversos índices que medem o desemprego no País. Os dois índices referenciais são os do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
Ele observou que, pelos indicadores do Dieese na Grande São Paulo, em maio passado existiam 1,654 milhão trabalhadores desempregados, o que correspondia a 18,9% da população economicamente ativa (PEA). Deste total, 1,085 milhão se referiam ao desemprego aberto, sendo que o restante - 569 mil pessoas - está classificado como ‘‘desemprego oculto’’, ou seja, quem está no subemprego ou simplesmente já desistiu de buscar uma vaga no mercado de trabalho.
A pesquisa mensal de emprego do IBGE em maio, no entanto, apurou que nas seis regiões metropolitanas pesquisadas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Salvador) o número de desempregados era de 1,406 milhão, o que correspondia a 8,2% da PEA. ‘‘Como é que em seis regiões o índice apura o desemprego de 1,4 milhão, menor que o registrado pelo Dieese na Região Metropolitana de São Paulo?’’, questionou o ministro.
Amadeo alertou para a discrepância dos índices, que têm metodologias diferentes, e informou que o governo utiliza como parâmetro os índices do IBGE porque se trata de uma pesquisa com critérios aceitos internacionalmente.

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