FHC oferecerá bônus para evitar apagão
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quinta-feira, 17 de maio de 2001
Agência Estado De Brasília 
Todos os consumidores de energia elétrica do País que economizarem mais de 20% do total da sua conta média terão direito a um bônus proporcional ao quilowatt/hora poupado, que poderá ser pago em dinheiro ou como crédito de energia para o mês seguinte. As medidas de racionamento que serão anunciadas hoje pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (CGCE), e que passam a valer a partir de 1º de junho, visam estimular o consumidor a poupar energia, por meio de sobretarifas altas e dessa bonificação. Pelo menos no primeiro mês das medidas, o objetivo será afastar a hipótese de ocorrência de apagões generalizados.
Queremo que o consumidor considere mais interessante economizar energia do que desperdiçá-la, disse ao Estado um dos participantes das reuniões da CGCE. A primeira fase do plano nacional de racionamento vai prever apenas metas de consumo diferenciadas para o setor produtivo e o consumidor em geral. Fizeram muito terrorismo, mas nossa avaliação é de que os métodos coercitivos são dispensáveis neste momento, porque a população está madura para participar voluntariamente do plano de racionamento, avaliou um dos estrategistas do governo escalado para trabalhar na montagem do plano.
Segundo interlocutores do presidente Fernando Henrique Cardoso, ele está confiante no sucesso das medidas. Na avaliação do Palácio do Planalto, a situação energética é menos grave que as que foram repassadas no final da semana passada.
O que permitiu ao governo dispensar o recurso das multas e dos apagões, considerados mortais para a imagem do Executivo federal no que se refere à competência administrativa, foi a curva decrescente do consumo em dois grandes centros nos últimos 30 dias. Só com o noticiário sobre a crise energética, sem que o governo e as concessionárias tivessem recorrido à grande campanha publicitária de esclarecimento da opinião pública, que está por vir, houve uma queda de 12% no consumo de energia em São Paulo. Em Brasília, a queda foi de 5%.
Os números animadores fortaleceram a corrente do governo que, além de buscar soluções técnicas para a escassez das chuvas e a consequente baixa no nível dos reservatórios das usinas, preocupa-se também com o impacto político das medidas adotadas pelo governo. A idéia é tentar dividir com os consumidores a responsabilidade do racionamento nesta primeira fase do plano, convocando comércio, indústrias, população, administrações estaduais e municipais, nas três esferas de Poder, a colaborar.
Segundo um dos representantes do grupo que trata do plano, as metas a serem perseguidas pelo consumidor não serão nacionais. As concessionárias é que deverão dar a palavra final sobre o quanto cada setor terá que economizar, com base em cálculos e parâmetros regionais. Se por um acaso nós não conseguirmos a redução global dos 20% que esperamos, voltaremos à mesa de negociação para reformular a estratégia do governo, diz o representante. O acompanhamento da reação da população será diário.
A divulgação do plano de racionamento será feita pelo ministro Pedro Parente, que coordena o ministério do apagão. Os detalhes ainda estavam sendo fechados na noite de ontem e, antes do anúncio, haverá uma reunião (às 10h) com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso. O anúncio será feito às 11h.


