FHC nega projeto para elevar mínimo
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sexta-feira, 18 de abril de 1997
Agência Estado de Brasília 
Arquivo FolhaSem discussãoFernando Henrique Cardoso: Pedi veto a salário mínimo quando entrei no governo, pedi veto quando era ministro da Fazenda. Por isso temos o real, e o real melhorou a vida de quem recebe o mínimoO presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem, em entrevista a rádio CBN, que desconhece a existência de qualquer estudo para o reajuste do salário mínimo em 1º de maio. Se existe estudo, eu não conheço, afirmou Fernando Henrique, descartando qualquer possibilidade de repasse ao salário mínimo da inflação futura.
Na época da inflação, todo ano tinha que haver um falso aumento. Agora não. Se você der um aumento além do que é possível, você provoca inflação e ao invés de conceder uma vantagem, está tirando um benefício. Isso é bom que se saiba, porque não é meu estilo fazer demagogia, afirmou. Acrescentou: Pedi veto a salário mínimo quando entrei no governo, pedi veto quando era ministro da Fazenda. Por isso temos o real, e o real melhorou a vida de quem recebe o mínimo.
Segundo Fernando Henrique, cada vez menos gente recebe salário mínimo. Cerca de 5% a 6% dos trabalhadores recebem o mínimo. Agora, não pode é perder a capacidade de compra do salário atual e o aumento tem de ser em função da disponibilidade da economia. O governo tem de ser sério. Não pode tomar gestos que depois impliquem na inviabilidade de manutenção do real, afirmou.
O presidente também negou que tenha prometido, durante a campanha eleitoral, elevar o salário mínimo a US$ 200,00. O que eu disse, quando fui candidato (naquele tempo o mínimo era 65 dólares), foi que em quatro anos nós dobraríamos isso. Naquela época, isso parecia muito pouco, ou muito. Quem entende de economia sabe que é muito. Mas 200 dólares nunca foi meu compromisso. Se for para 200 dólares, estoura a inflação e aí arrebenta. É demagogia.


