A quatro dias da posse do novo colega norte-americano George Bush, o presidente Fernando Henrique Cardoso contrariou ontem um dos planos do novo governo e disse que não vê hipótese de a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) entrar em vigor em 2003.
‘‘Não acredito que haja praticamente a possibilidade de acertar isso antes do aprazado’’, afirmou anteontem o presidente FHC durante a primeira escala de sua viagem à Ásia.
O governo brasileiro continua trabalhando com as chances de uma maior abertura dos mercados no continente apenas em 2005. Esse prazo foi acertado na última reunião da Cúpula das Américas. Uma nova reunião está marcada para abril, no Canadá.
FHC fez um discurso forte em defesa da indústria nacional. Ele pregou um ‘‘tratamento especial’’ às indústrias brasileiras que ainda não têm condições de competir internacionalmente. ‘‘Seguramente, enquanto eu for presidente, não vai haver negociação em detrimento da indústria nacional.’’
Quando lhe perguntaram a respeito de uma posição divergente sobre o assunto Mercosul, o presidente relevou: ‘‘Somos o país mais industrializado, temos uma preocupação maior com esse setor.’’ A Argentina já defendeu a antecipação da Alca para 2003.
Disposto a buscar apoio de economias emergentes na Ásia para regras mais equilibradas de abertura comercial, FHC disse que a posição brasileira em relação à Alca será pragmática. ‘‘É o toma lá, dá cá. Não haverá concessões unilaterais. Nós precisamos de acesso aos mercados e, sem acesso aos mercados, não haverá a possibilidade de ter Alca’’, afirmou.
‘‘Se os americanos e o Nafta estiverem dispostos a dar acesso aos mercados, estaremos dispostos a discutir ponto a ponto. Mas ninguém vai permitir que a negociação seja fatiada porque ficaria mais fácil para os poderosos imporem seus interesses.’’ (Leia mais abaixo)

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