FHC nega pacote contra desemprego
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sexta-feira, 06 de março de 1998
Agência Folha 
O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que não haverá pacote de combate ao desemprego e que a solução para o problema é o desenvolvimento econômico. Ele disse que vai pedir para os ministros cooperarem na criação de novos empregos. FHC fez questão de falar com a imprensa sobre o tema, depois de cerimônia pelo Dia Internacional da Mulher, realizada no Palácio do Planalto.
Ao abordar o assunto, o presidente afirmou que leu muito por cima as notícias sobre o emprego. Porque não tive tempo. Ele não especificou que medidas o governo vai tomar. A taxa de desemprego de janeiro passado, divulgada esta semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ficou em 7,25%. Esse é o maior índice desde agosto de 1984 (7,32%).
FHC disse que a reunião ministerial do próximo dia 13 vai servir para o governo aprofundar uma série de medidas já tomadas para aumentar o número de empregos. Vamos discutir desenvolvimento e emprego. Mas não significa nenhum pacote de nada, afirmou.
Na reunião, segundo o presidente, haverá um balanço sobre as políticas do governo para a redução do desemprego. Vamos mostrar e pedir a cooperação do conjunto do governo na questão de geração de emprego. Ontem, a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio protocolou no Planalto documento com sugestões ao presidente para reduzir o desemprego. Os sindicalistas querem que as empresas adotem turnos diários de seis horas com empregados diferentes.
Culpados Para o ministro da Fazenda, Pedro Malan, a política macroeconômica do governo não é a única culpada pelo desemprego no País. Não é correta a visão de que o governo é insensível ao tema desemprego, disse. Malan admitiu que a redução nas taxas dos juros cobrados pelo Banco Central de todo o mercado financeiro, anunciada quarta-feira, dará um alívio de curto prazo ao desemprego, por promover um mínimo de aquecimento à economia, embora não seja nada que vá resolver o problema.
Desde que foram praticamente dobradas, no final de outubro, no auge da crise asiática, chegando a 43%, as taxas de juros do Banco Central já caíram 15 pontos percentuais, chegando aos atuais 28%, destacou Malan. O governo aumentou os juros para o país continuar atraindo recursos internacionais e não perder dinheiro. A contrapartida foi uma redução no crescimento da economia.
Sabíamos que essa medida não seria sustentada por muito tempo, disse Malan. A trajetória dos juros é declinante, mas o quanto eles vão cair, explicou o ministro, dependerá dos cenários interno e externo. Ele disse que não se pode olhar apenas os dados mensais sobre desemprego. Renovação tecnológica e descentralização dos mercados influenciam o aumento do índice de desemprego em vários outros países, afirmou Malan.


