Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)‘Mentalidade colonialista’Fernando Henrique, entre os ministros Luis Lampreia e Pedro Malan: ‘‘Juro está em franco processo de queda’’O presidente Fernando Henrique Cardoso negou ontem que o Brasil deva de agora em diante obter junto ao FMI (Fundo Monetário Internacional) autorização para mexer em sua taxa de juros. Afirmou ser necessário pôr fim à ‘‘mentalidade colonialista’’, segundo a qual o governo não tem autonomia para tomar, sozinho, esse tipo de decisão.
‘‘Essa mentalidade é muito ruim’’, insistiu, com certa irritação, durante entrevista coletiva na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. FHC estava acompanhado dos presidentes da Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia, que faziam um balanço da 15ª Reunião do Conselho do Mercosul.
A Agência Folha revelou ontem que, pelo acordo fechado com o FMI, o Banco Central deveria consultar aquela instituição ao alterar os juros internos, segundo mecanismos em que a queda das taxas estaria condicionada ao nível das reservas cambiais. A reportagem, assinada pelo colunista Celso Pinto, forneceu detalhes precisos, como o fato de as reservas cambiais poderem cair em US$ 6 bilhões no primeiro semestre do próximo ano e de os juros precisarem crescer na hipótese de a evasão de divisas aumentar em US$ 1 bilhão além dessa meta.
‘‘Não existe nenhuma cláusula (com o Fundo) que leve o Brasil a tomar decisões que não sejam as suas próprias’’, disse FHC. O governo brasileiro, prosseguiu, não está obrigado a acatar ‘‘opinião de especialista ou de diretor do FMI’’. Afirmou que a elevação dos juros permitiu que o Brasil barrasse ‘‘a avassaladora tendência à desorganização dos mercados, desencadeada pela crise financeira na Ásia e na Rússia. Os juros estão ‘‘em franco processo de queda porque nós conseguimos barrar a evasão de divisas’’, disse FHC. Depois de qualificar de ‘‘colonialista a hipótese de decisões relativas ao assunto poderem ser tomadas no exterior, disse que ‘‘o Brasil possui uma economia bastante importante, um Congresso com poder de decisão e uma sociedade madura para que a gestão da economia seja operada a partir de uma base estrangeira’’.
‘‘A reclamação por causa das taxas de juros não parte dos empresários. Elas partem de mim. A maior vítima da taxa de juros é o Tesouro. O juro não fica elevado porque se deseja. Os empresários mais lúcidos sabem disso e estão nos ajudando a fazer as reformas’’.

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