FHC nega aposentadoria aos 65 anos
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sexta-feira, 14 de março de 1997
Agência Folha, de São Paulo 
Um dia depois de ter sido muito aplaudido por trabalhadores da governista Força Sindical, ao anunciar seu apoio à redução da jornada de trabalho e ao contrato temporário de trabalho, o presidente Fernando Henrique Cardoso foi recebido com muitas vaias ontem por metalúrgicos da região do ABC, um reduto da CUT.
Convidado especial do lançamento do carro popular da Ford, o Ka, em São Bernardo do Campo, FHC só conseguiu fazer seu discurso após a intervenção de Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, que pediu aos entusiasmados trabalhadores para ouvirem o que o presidente da República tinha a dizer.
FHC chegou à solenidade às 11h40, vindo de sua residência paulistana até a fábrica da Ford em São Bernardo de helicóptero. No palanque armado dentro da fábrica, FHC tinha a seu lado o governador Mario Covas, o presidente da Ford, Ivan Fonseca e Silva, o ministro do Trabalho, Paulo Paiva, Vicentinho, políticos tucanos e empresários.
Cerca de 300 trabalhadores da Ford, colocados à uma distância de cerca de 50 metros do palanque oficial, saudaram FHC com uma sonora vaia e com cartazes de protesto contra a reforma da Previdência Social e a redução de direitos trabalhistas, que pode resultar da aprovação do contrato temporário de trabalho.
Evocando o espírito de São Bernardo, uma alusão à história de luta dos metalúrgicos do ABC pela democracia e o direito à palavra na época da ditadura militar, FHC, tentando abafar as vaias, disse que, na democracia, assim como o trabalhador, o presidente da República também tem o direito à palavra.
Revertendo as vaias em aplausos, FHC afirmou enfaticamente: Não há proposta nenhuma para que o trabalhador se aposente aos 65 anos. Isso não existe e não tem o meu apoio, é má informação, é desinformação. Não há essa proposta, existe sim no Congresso, e eu apóio, medidas para evitar privilégios, como as aposentadorias em certos segmentos do funcionalismo público entre 44 e 48 anos de idade.
O presidente reafirmou seu apoio à redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, mas se recusou a atender o pedido de Vicentinho para subscrever um abaixo-assinado para uma emenda popular, reivindicando essa medida ao Congresso Nacional. A redução da jornada de trabalho depende só de negociação coletiva. Façam a negociação coletiva que o governo apóia. O presidente disse que não assinaria por considerar isso uma demagogia. Não é papel do presidente da República firmar abaixo-assinados, o papel do presidente da República é sancionar as leis, resultantes da negociação democrática.


