O presidente Fernando Henrique Cardoso descartou ontem a privatização imediata da Petrobrás, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, mas admitiu que o governo poderá procurar parcerias privadas para essas empresas e até vender ‘‘partes’’ da estatal de petróleo, se for conveniente. Ele falou na Escola Superior de Guerra (ESG), onde deu a aula inaugural da turma de 1999.
Segundo o presidente, ‘‘em nenhum momento se falou’’ em passar aquelas instituições ao controle privado, mas em ‘‘racionalizá-las’’. Fernando Henrique disse, porém, que no futuro, ‘‘depois de feitos os estudos, depois de o País assimilar e achar que é bom, sim’’, as estatais poderão ser vendidas, mas não em seu governo.
Ao referir-se à venda futura de ‘‘partes’’ da Petrobrás, o presidente pode estar se referindo ao parque de refino da estatal ou a uma de suas cinco subsidiárias: BR-Distribuidora, uma das três maiores distribuidoras de combustíveis do País; Gaspetro, que coordena, entre outros investimentos, o Gasoduto Brasil-Bolívia; Transpetro, administradora da rede de dutos e da frota de petroleiros; Braspetro, empresa internacional da Petrobrás, e Petroquisa.
‘‘A Petrobrás teve um desempenho muito positivo na ampliação das suas atividades de produção’’, disse o presidente, após dar a aula inaugural. ‘‘Também ela vai se racionalizar.’’ Fernando Henrique lembrou que o governo já tem autorização para vender, ‘‘se for necessário’’, a parte das ações da Petrobrás que exceder a manutenção do controle estatal. ‘‘Isso é antigo, isso não altera o estatuto da Petrobrás’’, afirmou. O presidente lembrou, porém, que a estatal do petróleo terá que rever sua estratégia, para se adaptar aos novos tempos.
Fernando Henrique lembrou que, quando o monopólio do petróleo foi flexibilizado, enviou carta ao Senado dizendo que a empresa não seria privatizada. ‘‘A Petrobrás é uma boa empresa, vai ser racionalizada, terá crescentes parcerias, partes delas poderão ser, por decisão dela, dispensadas, vendidas, ou não’’, afirmou o presidente. ‘‘Não transformemos um processo normal, numa economia madura como a do Brasil, num processo ideológico, que não cabe agora.’’
Fernando Henrique não respondeu, porém, quando lhe perguntaram se o novo presidente da empresa seria o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros. ‘‘Essa questão não está posta’’, disse. ‘‘Eu vou nomear agora o Conselho de Administração da Petrobrás, será no dia 16.’’
O presidente afirmou que os novos dirigentes da empresa terão competência técnica. ‘‘E friso, técnica’’, insistiu o presidente.

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