FHC ''não vê'' tendência inflacionária
Isabel Braga
Agência Estado
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem, em Havana, acreditar que o Comitê de Política Monetária (Copom), em sua próxima reunião, deverá reduzir a taxa de juros. Em entrevista concedida antes de visitar o centro histórico de Havana, capital de Cuba - onde participa hoje da reunião de cúpula dos países ibero-americanos -, o presidente reconheceu que a volta da inflação preocupa o governo, mas ressaltou: Não se pode dizer que lá (no Brasil) a inflação voltou. Para o presidente o risco é de que fatos como aumento do preço internacional do petróleo sejam usados como pretexto para reajustes em cadeia.
Nós não estamos vendo no horizonte nenhuma tendência inflacionária consistente e, portanto, a tendência será a diminuição da taxa de juros, disse o presidente. Segundo Fernando Henrique, a taxa de juros não é definida
politicamente, mas a partir de análises objetivas da situação a serem feitas na reunião do Copom marcada para o dia 15 do próximo mês. Mas estou torcendo, como todos os brasileiros, para que haja condições que permitam continuar baixando as taxas de juros, comentou. E tenho convicção de que isso será possível.
Segundo o presidente, o temor pela volta da inflação no Brasil se justifica porque não há nada mais daninho para um povo do que a inflação. Fernando Henrique disse que na última reunião do Copom o Banco Central não teve como baixar mais os juros, que estão em 19% , por receio de que isso alentasse o processo inflacionário, mas que não há ainda a volta da inflação. Há um ou outro elemento e por isso é preciso ficar atento e cortar o crescimento da inflação.
Fernando Henrique afirmou ainda que a visão de que não há tendência inflacionária consistente no horizonte brasileiro é compartilhada e já foi manifestada tanto por técnicos do governo
quanto pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. No caso do aumento do preço do petróleo, o presidente argumentou que o Brasil importa apenas US$ 4 bilhões em petróleo e Produto Interno Bruto é de US$ 800 bilhões. E que, portanto, o gasto não pode influenciar no aumento inflacionário.
PETRÓLEO - O que pode é haver exploração de gente querendo usar o pretexto do (aumento do) petróleo para criar reajustes em cadeia, disse, acrescentando estar torcendo para que o preço do petróleo não dispare. O presidente também negou que o governo esteja segurando o preço dos combustíveis no Brasil como forma de conter a volta da inflação.
Fernando Henrique argumentou que o preço dos combustíveis é composto parte pelo montante de petróleo importado, parte pelo montante produzido e por impostos. O governo tem margem, mas não no sentido de evitar que os mecanismos de mercado apareçam, porque no futuro isso acaba criando problemas, afirmou.
O presidente também descartou que os aumentos de alguns alimentos sejam uma indicação de volta da inflação. Segundo ele, numa economia é normal a falta momentânea ou o aumento de alguns produtos. Ele deu como exemplo o caso do feijão. Subiu 50, mas já baixou, e isso não contaminou os preços, disse. O que não se pode é criar um clima e permitir usar como desculpa o aumento do feijão para aumentar o preço do sapato, insistiu.
No caso do controle de tarifas, como de telefonia e energia, Fernando Henrique acredita que houve um começo de discussão equivocada. O que os responsáveis desses setores disseram é que não é preciso ir além dos contratos, mas não é que não se vá respeitar os contratos, não vá se reajustar - se for o caso - para repor o equilíbrio financeiro.Segundo FHC, Copom deve reduzir taxa de juros, na sua próxima reunião. Presidente também descarta volta da inflação
PASSEIO NA ILHAFernando Henrique posa junto a músicos locais na visita ao centro histórico de Havana, antes da reunião de cupula dos países





