FHC não quer um sócio em colapso
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2001
Agência Estado<br>Brasília 
O acirramento da crise na Argentina aumentou a certeza dentro do governo brasileiro de que pior que conviver com um vizinho encrenqueiro, é ter um parceiro em colapso. Logo que tomou conhecimento das manifestações de rua em Buenos Aires, que levaram à renúncia do presidente Fernando de la Rúa, o presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu que deveria aproveitar seu prestígio pessoal, demonstrado nas últimas viagens internacionais, para coordenar um movimento de líderes mundiais a favor da reconstrução argentina.
''A Argentina é muito importante para nós'', reiterou o presidente nas conversas que manteve com seus auxiliares mais próximos na sexta-feira, enquanto avaliava a situação do vizinho. Essa preocupação ficou evidente nos primeiros gestos de Fernando Henrique assim que ocorreu a mudança de comando em Buenos Aires.
Depois de assinar em Montevidéu uma declaração conjunta com os presidentes dos demais países que integram o Mercosul, manifestando solidariedade aos argentinos, o primeiro gesto do presidente brasileiro ao desembarcar em Brasília foi ligar para o senador Ramón Puerta, que acabara de assumir a Casa Rosada.
Após a indicação de Adolfo Saá para a presidência interina do governo argentino, Fernando Henrique já disse que pretende interferir diretamente para obter de organismos internacionais como G-7, que reúne os países mais ricos do mundo, e o Fundo Monetário Internacional (FMI), apoio financeiro para o vizinho. Uma Argentina fortalecida significa para o governo brasileiro a manutenção do Mercosul e a garantia de melhores resultados para a economia nacional.
Segundo um assessor de Fernando Henrique, só assim o bloco terá condições para enfrentar as negociações com os Estados Unidos para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Mesmo sendo o principal ator do bloco sul-americano, o Brasil sabe que sozinho terá muito mais dificuldades para fazer valer seus pontos de vista no cenário internacional.
A crise dos últimos meses afetou consideravelmente o fluxo de comércio entre os dois países, que era apontado como uma das grandes conquistas do Mercosul. O sinal claro dessa retração foi a queda de 41,2% nas exportações brasileiras destinadas à Argentina em novembro, em comparação com o mesmo mês de 2000. As importações de bens argentinos, por sua vez, caíram 21,7%. O prejuízo, portanto, é para os dois lados.


