Depois de quatro dias na capital americana, o presidente Fernando Henrique Cardoso volta ao Brasil com uma vitória pontual na sua queda-de-braço com os Estados Unidos: pelo menos por enquanto os planos para antecipação da Área de Livre Comércio das Américas, a Alca, ficam adiados.
A avaliação da diplomacia brasileira é de que o resultado prático do encontro entre Fernando Henrique e o presidente americano George W. Bush só será sentido na reunião de cúpula de Quebec, no Canadá, no fim do mês. Como não houve nenhum acerto entre Bush e Fernando Henrique sobre a Alca, está praticamente descartado qualquer avanço sobre o tema em Quebec.
Fernando Henrique deixou a embaixada brasileira sem falar com a imprensa. Apesar do silêncio, demonstrava entusiasmo com a viagem. Para interlocutores, o presidente classificou a viagem como ‘‘extremamente positiva’’. No governo brasileiro, a rápida visita aos EUA foi comemorada. ‘‘O encontro dos dois presidentes serviu para aumentar a compreensão dos Estados Unidos sobre a posição brasileira, o que já é positivo’’, observou o embaixador Eduardo Santos.
‘‘Se Bush esperava que Fernando Henrique fosse ceder aos interesses americanos, ele terá se frustrado’’, observou. Santos lembrou ainda que Fernando Henrique não foi aos EUA para fazer nenhum tipo de negociação.
Segundo um interlocutor do presidente, existia o temor de que o governo americano pressionasse um compromisso do Brasil para tentar antecipar a Alca. Mas como o próprio Bush foi genérico na conversa que teve com Fernando Henrique, a expectativa do governo brasileiro é de que esse assunto passe a incomodar menos. ‘‘O silêncio do presidente Bush no encontro de sexta-feira foi um gol importante para a posição do Brasil’’, disse esta fonte.
Em matéria do The Washington Post – um dos mais influentes jornais americanos – publicada no fim de semana, a análise é de que depois do encontro entre os dois presidentes ‘‘não deve ser feita nenhuma expectativa da reunião de Quebec em relação a Alca’’. Segundo o jornal, a indicação é de que ‘‘Washington e Brasília não irão superar suas divergências facilmente’’.
União Européia O primeiro-ministro Lionel Jospin chega ao Brasil quarta-feira para a primeira visita de um chefe de governo francês ao País, numa fase de em que estão sendo definidas as futuras relações comerciais do Brasil com os dois grandes blocos econômicos mundiais, os EUA e a União Européia (UE).
Jospin chega a Brasília querendo discutir o comércio do Mercosul com a UE. Essa negociação quase simultânea revela o interesse do presidente Fernando Henrique de manter relações equilibradas com os dois blocos econômicos. Para os brasileiros, as negociações com a UE só não têm avançado rapidamente porque a França é contrária à inclusão do item agrícola no quadro da futura área de livre comércio com o Mercosul.

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