ArquivoBenefíciosKoslovsky, presidente da Ocepar: 35 cooperativas beneficiadas As cooperativas serão beneficiadas com créditos do governo federal no valor de R$ 2,5 bilhões. Esses recursos serão aplicados na recomposição das dívidas das cooperativas acumuladas desde o Plano Real, no resgate do capital de giro e também para investimentos do setor. Essa proposta consta do plano de revitalização das cooperativas, anunciado ontem à noite pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, no Congresso Brasileiro de Cooperativismo, em Brasília.
Do valor total que deverá ser liberado, cerca de R$ 1,5 bilhão será destinado para a recomposição das dívidas das 393 cooperativas que se habilitaram ao programa de revitalização. O restante, R$ 1 bilhão, será aplicado na recomposição do capital e giro e para novos investimentos. Serão contempladas as cooperativas que atuarem dentro de uma linha de beneficiamento de produtos com projetos agroindustriais.
O presidente da Ocepar, João Paulo Koslovsky, diz que das 55 cooperativas do Paraná, cerca de 35 serão habilitadas e deverão receber recursos em torno de R$ 700 milhões. As demais não manifestaram a intenção de participar desse programa e muitas delas não reúnem condição mínima que é a de atuar dentro de uma linha agroindustrial de beneficiamento de alimentos.
Os recursos vão contemplar ainda as cooperativas que estão em situação financeira grave. Para esses casos o programa vai atender as cooperativas que se enquadrarem em processos de fusão, incorporação e parcerias. A vantagem desse sistema, segundo Koslovsky, é que cooperativas antes consideradas inviáveis passam a ganhar escala de produção e com isso são recompostas aos sistemas de produção. A Ocepar estima que no Paraná pelo menos seis cooperativas estão em situação de participarem de processos de fusão para fortalecer a atividade cooperativista em suas regiões.
As normas do programa de apoio como prazo de pagamento, taxa de juros e fonte de recursos ainda não foram definidas. O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, determinou a formação de uma comissão que terá 30 dias para estabelecer as regras. O presidente da Ocepar antecipou que taxas de juros e prazos de pagamento serão diferenciados e estarão condicionados aos projetos apresentados.
A reivindicação do setor tem origem em 1994 quando a agricultura foi âncora do Plano Real e o setor agrícola entrou em processo de endividamento em função do descasamento entre a correção dos preços agrícolas e dos financiamentos. A securitização atendeu ao problema com o equacionamento das dívidas dos produtores independentes. O processo de securitização solucionou apenas um terço das dívidas das cooperativas, que correspondia a R$ 180 milhões, estimou Koslovsky.

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