O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem em Petrolina (PE) que o Brasil não pode pensar em aproveitar as oportunidades do mundo globalizado se deixar a agricultura de lado. ‘‘A visão do puro industrialismo como modernidade e da agricultura como passado é completamente equivocada’’, afirmou, ao lançar o Programa de Apoio e Desenvolvimento da Fruticultura Irrigada, cuja meta é transformar o Brasil no líder mundial da fruticultura e olericultura tropicais irrigadas.
Durante o lançamento, o presidente destacou as obras hídricas que estão sendo concluídas no seu governo, ‘‘frutos de grande esforço iniciado no passado’’, e disse que é preciso avançar, transformando todo o sertão num verdadeiro pomar.
O programa de fruticultura prevê a incorporação de 100 mil novos hectares irrigados por ano, com geração de 200 mil empregos diretos. Os investimentos são estimados entre R$ 600 milhões e R$ 900 milhões por ano, e a coordenação será feita por um comitê com dez representantes do governo e dez do setor privado, criado ontem pelo presidente.
O coordenador do comitê pelo setor privado, empresário Manoel Dantas, destacou durante a solenidade que o Brasil, apesar de ser o maior produtor de frutas do mundo, com 33 milhões de toneladas por ano, vem aumentando suas importações, passando de US$ 90 milhões em 1993 para US$ 400 milhões no ano passado. Disse que outros países recheiam suas frutas com subsídios que tornam impossível a concorrência de quem ‘‘suporta o custo Brasil’’.
O secretário-executivo do Ministério da Agricultura e coordenador do programa, Ailton Barcelos, destacou que o modelo de gestão com governo e iniciativa privada é um ‘‘pacto de prosperidade’’, em que dez empresas se comprometem a aumentar suas áreas em 6 mil novos hectares irrigados de frutas e hortaliças por ano, trabalhando com pequenos agricultores.
Barcelos lembrou que o segmento de frutas é o que mais cresce no agribusiness mundial (cerca de US$ 1 bilhão por ano), tendo movimentado quase US$ 20 bilhões no ano passado, enquanto o complexo soja alcançou US$ 17 bilhões e o trigo US$ 19 bilhões.
Destacou as vantagens comparativas do semi-árido tropical do Nordeste, onde não existe entressafra e as frutas são mais doces e sadias, com baixa incidência de pragas. ‘‘Trocaremos a exclusão social pela riqueza’’, afirmou, lembrando que em dez anos o programa deverá incorporar um milhão de hectares, com US$ 10 bilhões de renda total e 2 milhões de empregos.

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