O presidente Fernando Henrique Cardoso quer que o Congresso defina a fonte de recursos que vai substituir a arrecadação de R$ 18 bilhões da CPMF a partir do segundo semestre do ano que vem. No discurso em que apresentou seu plano de governo para os dois últimos anos do mandato, o presidente defendeu os recursos gerados com o imposto dizendo que a CPMF financia hoje os programas de combate à pobreza e contribui para reduzir a sonegação.
‘‘Os recursos arrecadados, desaparecem? Os programas de combate à pobreza, desaparecem?’’ provocou o presidente. ‘‘Eu não posso ficar na posição de amanhã dizerem que estou apoiando os sonegadores ou cortando os programas sociais, pois não quero fazer nenhum dos dois.’’ Ao apresentar o plano à imprensa, o presidente deixou claro que, a despeito de posições contrárias até mesmo de aliados da base, irá privatizar Furnas e que não aceita um Banco Central totalmente independente.
Acrescentou ainda que buscará aprovar a reforma tributária, mas que não aceitaria fazê-la por medida provisória. ‘‘A reforma tem que ser discutida no âmago da sociedade.’’
Fernando Henrique também garantiu estar disposto a discutir a limitação de edição de medidas provisórias, desde que seja derrubado o artigo 246 da Constituição. Esse artigo impede a edição de MPs sobre matérias objeto de emenda constitucional a partir de 1995. Fernando Henrique ressaltou que a Constituição tem inspiração parlamentarista e pediu ao Congresso que dê maiores poderes para o Executivo em questões administrativas. ‘‘Se o Congresso se dispuser a devolver isso ao Executivo, as MPs diminuem’’, declarou.
Embora não tenha incluído a solução para o pagamento das perdas do FGTS apuradas nos planos econômicos na agenda de trabalho 2001-2001, Fernando Henrique disse que deseja uma saída ainda durante o seu mandato, mas avisou que não vai aceitar uma fórmula que transfira a conta de mais de R$ 30 bilhões para o Tesouro Nacional. ‘‘Se alguém receber o FGTS é por decisão minha’’, disse. ‘‘Eu generalizei o pagamento, mas não vou dar uma solução que leve o Tesouro à bancarrota, pois será o trabalhador quem pagará de novo’’, frisou. O presidente acredita que os sindicalistas vão continuar negociando com o governo até o consenso.

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