O presidente Fernando Henrique Cardoso inaugura hoje, às 11 horas, em Corumbá, a primeira etapa do gasoduto Brasil-Bolívia. Fernando Henrique estará acompanhado do presidente boliviano Hugo Banzer, com quem, depois da solenidade, terá um encontro privado. Além disso, o presidente será recebido pelo governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, de oposição ao governo.
O gasoduto exigiu investimentos da ordem de US$ 2 bilhões para sua construção e poderá transportar neste início entre 2 e 4 milhões de metros cúbicos diários de gás. Seu maior desafio, entretanto, será o de encontrar mercado de consumo, porque a demanda industrial de energia está em queda em razão da retração da atividade industrial no Brasil e o custo do gás boliviano, cotado em dólar, aumentou depois da desvalorização do real. A extensão deste primeiro trecho - ligando Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) a Campinas (São Paulo) é de 1.970 quilômetros.
De acordo com informações fornecidas pela Petrobrás, esta vazão diária abastecerá mercados do Mato Grosso do Sul e de São Paulo. Mas, segundo apurou a Agência Estado, não houve interesse na construção de usinas térmicas a gás, principalmente porque o megawatt gerado a gás natural custa cerca de US$ 34 enquanto o megawatt das usinas hidrelétricas é menor. Na Companhia de Energia de São Paulo (Cesp), por exemplo, o megawatt custa cerca de US$ 22.
Na avaliação da Petrobrás Gás S.A. (Gaspetro), o gasoduto contribuirá para aumentar a participação do gás na matriz energética brasileira dos atuais 2,6% para 12% em 2010. Até o final deste ano a previsão é de que sejam transportados 8 milhões de metros cúbicos diários, chegando a 30 milhões em 2005. Os US$ 2 bilhões utilizados na construção do gasoduto foram financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento.
O outro trecho do gasoduto, ligando Campinas a Porto Alegre (RS), terá extensão de 1.180 quilômetros e a intenção do governo é inaugurá-lo no final deste ano. O projeto total do gasoduto prevê uma extensão de 3.150 quilômetros - 557 quilômetros na Bolívia e 2.593 quilômetros em território brasileiro - passando por 153 municípios.
Em 1993, a Petrobrás e a empresa boliviana de petróleo YPBF assinaram contrato que garantiu a exploração, compra e venda do gás boliviano pelo prazo de 20 anos, o que viabilizou a construção do gasoduto. De acordo com dados fornecidos pela Petrobrás, até o final da construção do gasoduto serão gerados 25 mil empregos.

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