FHC foi mal assessorado diz ex-diretor a ANP
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terça-feira, 15 de janeiro de 2002
Agência Estado 
A redução de até 20% no preço da gasolina nos postos, anunciada pelo presidente FHC no fim do ano passado, foi fruto de péssimo assessoramento, na opinião do ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) David Zylbersztajn. Algum burocrata infeliz e irresponsável deu essa notícia para ele (Fernando Henrique), que entrou de boa-fé, porque não é um técnico, comentou Zylbersztajn, que cumpre quarentena depois da saída do cargo. Para ele, o preço dos combustíveis continuará caindo. Talvez não chegue aos 20%, mas o que importa agora é a tendência de queda.
A liberação da importação de combustíveis poderá contribuir, mas apenas com impactos pontuais, acredita Gabriel Kropsch, operador da trading inglesa Tramp Oil. A empresa foi a primeira a solicitar da ANP autorização para importar. Ainda não foi oficializada a autorização, que tem de ser publicada em Diário Oficial, explica Kropsch.
Ele lembra que o consumo de gasolina hoje no País é muito elevado, em torno de 60 milhões de litros por dia. A empresa não informa a quantidade de combustível do pedido, mas, segundo informações da ANP, foram 30 milhões de litros, distribuídos por um período não divulgado.
A gasolina vendida nas refinarias nacionais não está cara, mas no mercado internacional o preço muda diariamente. São estas oportunidades que iremos buscar, sempre no mercado spot (compras à vista), diz Kropsch. As tradings importarão combustível para revender o produto a distribuidoras ou grandes empresas consumidoras. Não poderão revender diretamente para postos de gasolina.
Os volumes não são expressivos, se comparados ao consumo nacional. A paulista Comércio e Indústria Brasileira (Coinbra), por exemplo, uma das quatro que têm pedido tramitando na ANP, solicitou aval para compra de 60 mil litros de gasolina no mercado externo, o que corresponde a dois caminhões-tanque.
Para Zylbersztajn, os reflexos da abertura no mercado de combustíveis são de média e longa maturação. Quem mantiver uma margem exagerada de lucro simplesmente não vai vender. O mercado se encarregará de regular. Caberá aos órgãos do governo responsáveis pela ordem econômica garantir o mercado concorrencial, diz ele.
O diretor do Sindicato do Comércio Varejista do Rio de Janeiro (Sindcomb) Marco Mateus disse que a declaração do presidente Fernando Henrique foi um pouco irresponsável porque criou a expectativa de que o preço cairia 20%. De acordo com ele, o preço da gasolina já baixou 16% no Rio, para R$ 1,57 em média, e não há espaço para cair mais, a não ser R$ 0,01 ou R$ 0,02, por causa da concorrência.


