FHC: ''Evitar a volta da carestia''
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem, em cadeia de rádio e TV, que fez todo o possível para evitar a queda do real e prometeu impedir a volta da carestia. Ele disse que o ministro Pedro Malan (Fazenda) continuará no cargo. No pronunciamento de dois minutos e 40 segundos, FHC atribuiu a instabilidade do mercado a declarações e reações irresponsáveis sobre a moratória da dívida dos Estados e à avaliação equivocada de que o governo não conseguirá fazer o ajuste fiscal.
FHC, que voltou às pressas a Brasília de sua fazenda em Buritis (MG) e passou a tarde em reunião com a equipe econômica, falou às 19h, com texto preparado previamente. Seu objetivo, disse, foi tranquilizar os brasileiros. Todos são testemunhas de que fiz todo o possível para evitar uma mudança abrupta no câmbio, disse o presidente, que chegou a incluir a sustentação do real entre os compromissos de seu programa de governo. FHC prestigiou Malan, vítima de rumores de que deixaria o cargo a exemplo do presidente demissionário do Banco Central, Gustavo Franco. Reitero minha confiança no ministro Pedro Malan, que continuará a conduzir a equipe econômica e saberá superar as dificuldades que estamos vivendo. Ao decidir não mais intervir no mercado de câmbio, o governo quis preservar as reservas, segundo FHC.
Eu tenho a obrigação de defender o real. Não poderia deixar que as reservas continuassem a sair e o Brasil ficasse sem as defesas para só então tomar providências, disse. A medida, segundo FHC, deve afastar a desconfiança que se instalou no mercado financeiro. Ao afastar a tensão, completou, o BC cria as condições para, no segundo momento, baixar as taxas de juros . Em tese, eliminada a expectativa de desvalorização cambial, há maior espaço para reduzir os juros, que hoje são altos, entre outros motivos, para cobrir as perdas que investidores internacionais sofrem ao investir em reais.
Entretanto, essa relação não é automática. Uma nova turbulência no mercado de câmbio, por exemplo, pode impedir a queda das taxas. Também influi nos juros o déficit do governo, que, ao gastar mais do que arrecada, gera desconfiança no mercado - o emprestador do dinheiro. Esse aspecto foi abordado por FHC.
Só o cumprimento das metas fiscais permitirá ampliar a confiança na economia e superar a instabilidade que temos vivido. Conto com o Congresso Nacional para isso.





