FHC evita discussão sobre o mínimo
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso não quis falar ontem, durante entrevista após a inauguração do gasoduto Bolívia-Brasil, sobre o novo valor do salário mínimo que será fixado em maio pelo governo. Que dia é hoje?, perguntou Fernando Henrique quando foi questionado sobre o porcentual de reajuste que o mínimo terá. Vamos esperar um pouquinho, acrescentou.
A cautela do presidente ao tratar do assunto pode refletir uma preocupação que existe na área técnica do governo sobre a repercussão negativa que um aumento do salário mínimo este ano teria no déficit público, por causa de seu impacto nas contas da Previdência Social, das prefeituras e dos governos estaduais.
O ministro do Trabalho e do Emprego, Francisco Dornelles foi igualmente reticente ao falar sobre o reajuste do mínimo. Mas deu algumas indicações de que o governo poderá tratar o assunto mais do ponto de vista técnico do que político, mesmo com todo o desgaste que isso possa resultar. Modificações no salário mínimo podem aumentar o déficit público, pressionar a inflação e tirar a estabilidade da moeda, disse Dornelles.
Por causa das repercussões sobre as contas da Previdência, dos Estados e dos municípios, o ministro acha que esse assunto precisa ser tratado com cuidado. Qualquer proposta que mude o valor nominal do salário mínimo e que tenha como consequência, no futuro, a perda do poder de compra do trabalhador é simplesmente demagógica e não encontra sustentação lógica, afirmou.
O importante para o governo, no entendimento do ministro é levar em conta o salário real do trabalhador, o seu poder de compra, e não o valor nominal do salário mínimo. Dornelles argumentou que o salário mínimo hoje é quase um gráfico em boa parte do País. Nas regiões mais desenvolvidas, o salário mínimo não representa o salário efetivamente recebido pelos trabalhadores, afirmou.
O mínimo teria importância, de acordo com o ministro, nas regiões mais pobres e no interior do Brasil. Para Dornelles, a preocupação do governo é com o aumento do poder de compra do trabalhador. Para isso, o melhor caminho é preservar a estabilidade da moeda.


