RIVERA, Uruguai - O presidente Fernando Henrique Cardoso, ao tomar conhecimento do sucesso do leilão de privatização da Companhia Vale do Rio Doce, fez a seguinte declaração antes de iniciar a viagem de retorno à Brasília, ontem: ‘‘Eu já esperava por isso. Isso mostra que o governo agiu direito. Agora é torcer para que as coisas continuem certo no Brasil, que tem rumo e vai dar certo porque o povo quer.’
Em Brasília, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, desabafou. ‘‘Pôxa, que alívio!’. Ele acompanhou os últimos lances do leilão pelo terminal da Broadcast (serviço em tempo real da Agência Estado), instalado em seu gabinete. ‘‘Belo ágio’’, comentou, ao constatar a venda 19,98% acima do preço mínimo estabelecido.
Em seguida, Parente telefonou para seu colega, o secretário de Política Econômica, José Roberto Mendonça de Barros, que está em Nova York, para dar a boa notícia. ‘‘Vamos em frente’’, comemorou.
Em contraste com a expectativa de seu assessor, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, soube da venda da Vale no intervalo entre duas audiências, segundo informaram seus assessores. Eles disseram que, após conversar com representantes de duas empresas finlandesas - a Valmet e a Partek -, Malan viu, pelos terminais das agências de informação em tempo real que estão sem sua sala, que a Vale havia sido vendida. E não fez nenhum comentário.
Para Parente, a venda da Vale nem é a mais rentável para
o Tesouro Nacional mas é a mais simbólica, a que mais efeito positivo terá sobre as expectativas dos investidores internacionais.
O comandante do vencedor do leilão (Consórcio Brasil), Benjamin Steinbruch, disse que entrou na briga pela Vale para ganhar. ‘‘Minha aposta é na importância estratégica que a Vale tem para a nova etapa do desenvolvimento industrial do País no próximo século’’, disse. Antonio Ermírio, derrotado, considerou alto o preço e disse que seu grupo foi até onde podia ir. Para Ermírio, o consórcio de Steinbruch era desorganizado, com gente saindo e entrando na última hora. Steinbruch afirma que sua proposta era menos centralizadora.

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