FHC entrega carta de crédito 100 mil a servidor público
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terça-feira, 22 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
Wilson Pedrosa/AE
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Em mãosFernando Henrique faz a entrega do documento ao vigilante Valdir Francisco da Silva, que trabalha no DNCO presidente Fernando Henrique Cardoso entregou ontem a Carta de Crédito de número 100 mil ao vigilante Valdir Francisco da Silva, que trabalha no Departamento Nacional de Combustível (DNC) e comprará um imóvel na cidade-satélite de Taguatinga, no Distrito Federal. Comparereceram à solenidade os ministros do Planejamento, Antônio Kandir, e da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente da Caixa Econômica Federal, Sérgio Cutolo. Porém, os repórteres não tiveram acesso à cerimônia, realizada no dia seguinte à crise provocada pelas críticas ao Ministério feitas pelo ministro das Comunicações, Sérgio Motta, em entrevista à revista Veja.
O programa é uma inovação importante no mercado imobiliário, disse o ministro Antônio Kandir. Ele informou que o governo deverá superar sua meta de entregar 200 mil cartas de crédito até o final de 1998. Poderemos superar 350 mil, informou. Só neste ano, o número de financiamentos habitacionais concedidos pelo programa saltou de 5.473, em janeiro, para 30.660, em junho. Achamos que o número de junho foi atípico, e a média mensal deverá ficar em torno de 15 mil, disse o ministro.
Kandir admitiu que, quando foi criado, o programa Carta de Crédito funcionava mal. As dificuldades para obter um financiamento eram tantas que, durante a primeira metade de 1996, eram assinados somente 1.400 contratos mensais. Para acelerar a concessão dos empréstimos, o Ministério do Planejamento e a CEF mudaram uma série de procedimentos. A quantidade de documentos exigida pela CEF, por exemplo, foi reduzida em 70%. Além disso, foram feitos convênios com cartórios em todo o País, para diminuir o número de certidões exigidas para a aprovação do contrato.
Essas providências, além de um treinamento específico dos funcionários da CEF, permitiram acelerar a liberação dos empréstimos. Além disso, foi criada a Carta de Crédito Associativa, por meio da qual os recursos são liberados para as construtoras que reúnam compradores em condições de adquirir os imóveis por esse sistema. Na segunda-feira, foram liberados R$ 422 milhões para as construtoras.
A carta de crédito número 100 mil foi para Valdir Francisco da Silva, vigilante do Departamento Nacional de Combustíveis, em Brasília. Piauiense, 40 anos, casado, três filhos, Silva tomou um financiamento de R$ 15 mil para adquirir uma casa de dois dormitórios, no valor de R$ 18 mil, na cidade-satélite de Taguatinga.
O presidente Fernando Henrique Cardoso pediu ontem, em seu programa semanal de rádio, que os parlamentares aprovem a partir de agosto, quando forem retomadas as votações, o projeto criando o Sistema Financeiro Imobiliário. O projeto, de acordo com o presidente, simplifica o processo de garantia para que os bancos possam emprestar mais dinheiro para moradia.
Fernando Henrique disse esperar que as discussões no Congresso sobre o projeto resultem em uma proposta de consenso. Segundo o presidente, bancos nacionais e estrangeiros dispõem de considerável volume de recursos para emprestar mas não o fazem por causa das garantias ainda muito burocratizadas.
Estou certo de que, com a carta de crédito, que está funcionando bem, e com o novo sistema de financiamento imobiliário, nós vamos aumentar a oferta de moradias e continuar a redução do aluguel, que foi uma grande conquista do Real, completou o presidente.


