FHC e Menem se encontram para tentar novo impulso ao Mercosul
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de junho de 1999
Agência Estado 
Os presidentes do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, e da Argentina, Carlos Menem, encontram-se hoje cedo, num gesto de grande significado simbólico com o objetivo de demonstrar união. Os dois países enfrentam dificuldades internas e o Mercosul, bloco comercial liderado por eles, passa por um momento dos mais delicados.
Desde janeiro, quando o governo de Fernando Henrique decidiu desvalorizar o real, tornando mais cara a entrada de produtos estrangeiros no País, as exportações da Argentina para Brasil caíram drasticamente. Os dados dos primeiros quatro meses desde ano mostram uma queda de 32%, na comparação com o mesmo período do ano passado.
As estimativas são de que o comércio bilateral feche o ano com uma retração da ordem de 25%. Diante das dificuldades, Menem passou a defender a idéia de dolarização da economia argentina, proposta vista com temor por empresários e autoridades econômicas dos dois países.
Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem encontraram-se recentemente há poucos dias, durante reunião do Grupo do Rio, e estarão juntos novamente na semana que vem, em cúpula dos presidentes dos países do Mercosul. Apesar disso, decidiram ser recomendável um encontro a sós, para servir como símbolo da afirmação da prioridade de ambos para as relações entre Brasil e Argentina.
A chegada de Fernando Henrique a Buenos Aires estava prevista para a noite de ontem. Ele vai somente hoje à residência presidencial de Olivos, e não à Casa Rosada, sede do governo, pois não se trata de uma visita oficial. A expectativa é de que Fernando Henrique aponte sinais de que a economia brasileira está-se recuperando e, simultaneamente, tente elevar o ânimo dos argentinos, ainda escaldados com a desvalorização do real.
O presidente argentino Carlos Menem está no fim de seu governo, e a visita de Fernando Henrique seria um símbolo de apoio importante. A visita é necessária para Menem: a pouco mais de quatro meses das eleições e a seis meses da posse no novo presidente, Menem já não controla o Congresso, muito menos seu próprio partido. Além disso, seus antigos aliados passaram para o bando inimigo.


