Agência Folha
Os presidentes do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, e da Argentina, Carlos Menem, encontram-se hoje em Campos do Jordão (SP) para discutir os efeitos da desvalorização do real sobre o comércio entre os dois países. O Brasil é hoje o principal parceiro comercial da Argentina, absorvendo 30% de suas exportações.
Desde 1995, ano seguinte ao da implantação do Real, a balança comercial entre os dois países tem sido mais favorável para a Argentina. Ou seja, o Brasil importa mais do que exporta para aquele país. A desvalorização do real ameaça essa situação. As exportações brasileiras tendem a ficar mais baratas e as importações de produtos argentinos, mais caras. É isso que preocupa Menem.
Os argentinos defendem a adoção de mecanismos que possam minimizar os efeitos da desvalorização do real e manter a competitividade de seus produtos. A balança comercial, que teve saldo positivo para os brasileiros na maior parte da década de 80, inverteu-se a partir de 95.
O Plano Real aproximou a cotação da moeda nacional à do dólar e tornou os produtos brasileiros mais caros para os estrangeiros. Ao mesmo tempo, facilitou as importações.
Em 95, o Brasil exportou US$ 4,04 bilhões para a Argentina e importou US$ 5,60 bilhões. No ano anterior, as exportações haviam sido de US$ 4,13 bilhões e as importações, de US$ 3,66 bilhões.
O impacto da desvalorização do real nas relações comerciais entre os países do Mercosul já foi discutida em encontros de FHC com os presidentes dos dois outros parceiro do Brasil no Mercosul: Julio Maria Sanguinetti (Uruguai) e Raul Cubas Grau (Paraguai).

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