FHC e Clinton divergem
sobre o comércio global
Clóvis Rossi
Agência Folha
Patrick Keystone/AFPO inglês Tony Blair, FHC e Romano Prodi, da Itália, em GenebraBrasil e Estados Unidos bateram de frente, nas últimas 24 horas, em termos de interesses e prioridades em comércio internacional. A tal ponto que, se o discurso que o presidente Fernando Henrique Cardoso pronunciou ontem, a propósito do 50º aniversário da Organização Mundial do Comércio, não tivesse vindo pronto do Brasil, pareceria uma resposta direta e frontal ao pronunciamento, na véspera, de seu colega norte-americano Bill Clinton.
Nem é preciso interpretar cada frase para notar profundas diferenças. É verdade que FHC tratou de minimizar o choque, ao conversar no início da noite com jornalistas brasileiros. ‘‘É uma situação semelhante à que ocorre na Alca (Área de Livre Comérciodas Américas, que deve englobar os 34 países americanos, menos Cuba) e que nós estamos conseguindo resolver’’, disse o presidente. Mas emendou: ‘‘O Brasil coloca os seus interesses na mesa de negociações e não tem porque seguir os interesses dos outros’’.
Pelo menos em relação aos Estados Unidos, o interesse de cada parte segue, de fato, direção divergente. Os EUA, pela boca de Clinton, pregam, por exemplo, o aproveitamento ‘‘do pleno potencial da Era da Informação’’. O Brasil, diz FHC, prefere, antes, que estejam ‘‘implementados os compromissos acordados na Rodada Uruguai’’, o mais abrangente pacote de liberalização do comércio, concluído em 1994.
Clinton fala em ‘‘agressiva’’ abertura de mercados. FHC ataca o fato de que, ‘‘em países desenvolvidos, não é incomum constatar-se que, sob o manto de medidas de defesa comercial, uma eficiente burocracia governamental substituiu, com vantagem, a deficiente competitividade de certos setores’’. Aludiu especificamente às medidas compensatórias ou de anti-dumping, recursos que os EUA adotam mais que qualquer outro.

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