O presidente Fernando Henrique Cardoso condicionou a manutenção do Brasil nas negociações sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) ao fim do protecionismo e à abertura dos mercados, e afirmou que esta não é uma posição simplesmente comercial, mas de soberania. ''Temos confiança em nós próprios, só faremos os acordos que forem interessantes para nós'', disse. ''Negociações comerciais não podem ser confundidas com negociações de soberania. Soberania não se negocia, se exerce.''
As declarações foram feitas em discurso, ontem, durante a inauguração de uma nova unidade de produção de aço da siderúrgica Cosipa, em Cubatão (SP). Fernando Henrique citou como exemplo da posição do País a recente participação da delegação brasileira em Doha, no Catar, durante rodada de negociação da Organização Mundial do Comércio (OMC). ''Vimos, recentemente, na reunião de Doha, a energia com a qual o País conseguiu transformar posições há muito conquistadas nas negociações do comércio internacional.''
O presidente descreveu a atuação brasileira como ''uma convicção serena, mas firme'' de buscar o acesso aos mercados internacionais. ''Foram definições que permitem o começo de uma luta, que vai ser árdua, como se viu agora pelas restrições que o congresso americano está impondo ao presidente na sua capacidade de fazer acordos.''
O presidente cobrou audácia dos empresários para a internacionalização das empresas brasileiras, especialmente no setor siderúrgico, sem que isso signifique a perda do controle dos capitais. Segundo ele, esse é um requisito essencial para a competição no mundo globalizado.

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