FHC diz que quer juro mais baixo
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sexta-feira, 19 de janeiro de 2001
Das agências De Seul 
O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu novas reduções nas taxas de juros ao comentar ontem a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de reduzir em meio ponto percentual, de 15,75% para 15,25%, a taxa básica de juros no Brasil. Nós temos de continuar baixando mais, disse FHC, comparando as taxas brasileiras às que vigoram na Coréia do Sul, onde elas variam de 10% a 12% ao ano. Para o presidente, os juros no Brasil ainda estão muito altos.
Suas declarações não significam, porém, que haverá novas reduções nos juros rapidamente. Já houve várias ocasiões em que o presidente defendeu a queda dos juros e eles não caíram. O Banco Central não indicou nova queda dos juros até a próxima reunião do Copom, no mês que vem, já que a decisão de anteontem não veio acompanhada do chamado viés de baixa.
Além dos sinais de melhora do conjunto da economia brasileira, o presidente atribuiu a decisão do Copom à situação externa. Os sinais internacionais também não são preocupantes. Se continuar tudo assim, (a taxa) continua caindo, porque ela ainda é elevada, previu.
Fernando Henrique Cardoso também destacou em Seul, ontem, as perspectivas para o emprego. Os índice de desemprego são os mais baixos dos últimos três anos e vão continuar a cair, argumentou. A taxa de crescimento, que em 2000 foi de 4%, será ligeiramente maior este ano e ainda maior nos próximos anos, dependendo das condições internacionais, disse. De acordo com FHC, a recuperação brasileira após a crise de 1999 demonstra claramente que aprendemos duas lições importantes: a primeira, que os brasileiros não esquecem os males da inflação e não querem que ela retorne; a segunda, que a economia brasileira se fortaleceu com reformas estruturais e isso significa que as empresas nacionais tornaram-se mais eficientes, mais capazes de competir na economia global.
Como parte da pauta da viagem do presidente Fernando Henrique à Coréia do Sul, foi assinado ontem memorando entre o banco coreano de comércio exterior e o programa de exportação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para apoiar as importações de produtos brasileiros pelos coreanos e vice-versa com taxas de juros menores.
O presidente cometeu uma gafe no almoço com os empresários ao começar o discurso em inglês. Foi necessário tradução. Eu imaginei que o inglês fosse uma lingua mais familiar na Coréia, afirmou. Pela manhã, ele esteve no palácio do governo em uma reunião mais longa do que o previsto com o presidente sul-coreano, Kim Dae-Jung, que lembrou do passado semelhante dos dois presidentes: a participação ativa na luta contra regimes autoritários em seus países.


