de São Paulo
O presidente Fernando Henrique Cardoso fez ontem uma defesa enfática da mudança da estrutura jurídica de contratação de empregados para que o País chegue a ter contratos flexíveis de trabalho. Segundo ele, não adianta mais esperar do governo medidas gerais e uniformizadoras em defesa dos trabalhadores, mas sim tratamentos diferenciados, que permitam relações flexíveis.
Para Fernando Henrique, o ‘‘novo sindicalismo’’ - nome dado ao movimento iniciado por Luiz Inácio Lula da Silva nos anos 80 - envelheceu e hoje resiste às mudanças: é contra tudo o que não seja uma regra geral. ‘‘Se o governo diz que não dá para uniformizar, a reação é imensa’’, reclamou. Mas, regras gerais hoje conduziriam o mundo do trabalho para o que ele chamou de ‘‘ficção’’.
‘‘Vamos ter que preparar a mão-de-obra para uma certa mobilidade geográfica e mental’’, disse, ao analisar a mobilidade do capital em tempos de globalização da economia. Para ele, o mundo está passando por uma revolução cultural. ‘‘Haverá alteração profunda na noção de emprego e ocupação.’’
O presidente cunhou uma nova expressão para referir-se aos trabalhadores sem qualquer qualificação para as novas exigências do mundo do trabalho: os ‘‘inempregáveis’’, que só poderão deixar a condição de desempregados com educação básica e treinamento.
Para defender uma certa desregulamentação dos contratos de trabalho, o presidente fez ainda comparação da situação do desemprego na Europa e nos Estados Unidos. Na Europa, relações de trabalho são conservadoras e rígidas, o que provoca altas taxas de desemprego. ‘‘Não é assim nos Estados Unidos, onde as relações são mais flexíveis.’’
De acordo com Fernando Henrique, isso não significa que o Brasil deva apenas copiar o modelo norte-americano, mas buscar também outras soluções, especialmente porque no País há particularidades, como o fato de 20% da população economicamente ativa atuar no campo. Para ele, a reforma agrária deve ser apoiada, mas não será a única solução.
O presidente participou da abertura do Seminário Internacional sobre Emprego e Relações do Trabalho, no Memorial da América Latina, e lembrou do drama mundial que representa o crescente contingente de excluídos - ‘‘uma situação explosiva’’.
No caso dos excluídos, segundo afirmou, a saída está na mediação política, que requer um novo sindicalismo, um novo empresariado e um novo poder público. ‘‘Não temos nada disso no Brasil.’’

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