O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que o País ‘‘tem de caminhar para ter taxas de juros civilizadas’’. A afirmação foi feita durante a tarde, quase que simultaneamente ao anúncio, pelo Banco Central, da elevação dos juros para 45% ao ano.
Segundo FHC, essas ‘‘taxas civilizadas’’ é que permitirão efetivamente a existência de projetos de longo prazo nas áreas habitacional, de saneamento e de transporte urbano. As afirmações foram feitas na posse do secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano, Sergio Cutolo.
Mais tarde, o porta-voz da Presidência, Sergio Amaral, disse que a intenção do presidente ao dizer que o País precisa ter taxas de juros civilizadas foi mostrar que ‘‘essa necessidade (de juros baixos) existe’’, mas que isso vai acontecer apenas em um segundo momento, quando o risco de inflação tenha sido superado.
‘‘É preciso levar em conta nesse momento a inflação para verificar se houve aumento real da taxa de juros’’, afirmou Amaral, ao tentar justificar a decisão do Banco Central, elevando os juros de 39% para 45%. O presidente aproveitou a posse de Cutolo para fazer um discurso em tom positivo, apesar de o governo estar editando nas últimas horas um minipacote com novas medidas de ajuste fiscal.
FHC citou a questão urbana, que classificou como ‘‘muito mais do que complicada’’, para dizer que tarefas ‘‘extremamente difíceis’’ como essas só deixarão de ser inviáveis se o governo vencer a batalha que está travando e dela resultarem taxas de financiamento que sejam suportáveis.

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