O porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral, disse ontem que o presidente Fernando Henrique Cardoso ‘‘não vê nenhuma razão para colocar o Banco Central sob suspeição’’ por causa do socorro ao Banco Marka, em janeiro. No final de semana, o presidente do PMDB, senador Jader Barbalho, disse em entrevista que o BC estaria ‘‘sob suspeição’’ por causa das operações feitas para auxiliar os bancos Marka e FonteCindam.
Segundo Amaral, FHC ‘‘está convencido de que o Banco Central saberá dar os esclarecimentos pertinentes’’. O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, confirmou que, após a desvalorização do real, iniciada em 13 de janeiro, a instituição vendeu dólares a preços favoráveis para evitar a quebra do Marka. O socorro ocorreu quando o dólar estava cotado a R$ 1,32.
O Marka, que tinha compromissos em dólar, comprou moeda norte-americana do BC a R$ 1,27, evitando sua liquidação e a indisponibilidade dos bens de seus administradores. Na argumentação do BC, o objetivo foi evitar o pânico que uma quebra de banco poderia provocar naquele momento.
O ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes rejeitou ontem a acusação de ter favorecido os Bancos. Lopes não confirmou o prejuízo de US$ 200 milhões para o País. Para realizar as duas operações, no dia 14 de janeiro,
Chico Lopes não consultou seus superiores, o ministro Pedro Malan e o presidente FHC, por considerar que agiu dentro das regras e deveres do BC.
As duas operações, explicou ele, foram fechadas com os dois bancos quando o governo ainda tentava instituir o novo regime de bandas engendrado por ele próprio. Como o mercado não aceitou o novo câmbio, no dia seguinte o presidente da República decidiu retirar o BC do mercado, não mais vender dólares das reservas cambiais e deixar a taxa flutuar.

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