O presidente Fernando Henrique Cardoso garantiu ontem que não faltarão recursos aos produtores para o plantio e comercialização da próxima safra. ''Os recursos já estão disponíveis. Agora, precisamos trabalhar para abrir novos mercados para o agronegócio'', disse o presidente, na abertura de uma videoconferência promovida pelo Ministério da Agricultura para discutir o Plano Agrícola e Pecuário 2001/2002.
O Plano, anunciado em agosto, vai contar com R$ 17 bilhões, dos quais R$ 3,1 bilhões, originários do Orçamento Fiscal, serão destinados à comercialização agrícola. A verba de comercialização será 50% superior ao que foi colocado à disposição dos produtores no ano passado. Com isso, segundo o presidente, o Brasil poderá ultrapassar, na próxima safra, a marca das 100 milhões de toneladas de grãos. Nos últimos dez anos, a colheita desses produtos cresceu 68%.
''Graças aos produtores e ao apoio do governo, o Brasil já está colhendo 97 milhões de toneladas neste ano e poderá ultrapassar a marca de 100 milhões de t. O governo está oferecendo condições de investir não só no plantio e na colheita mas também em tecnologia, infra-estrutura e comercialização'', disse o presidente.
O ministro Pratini frisou que além de apoio financeiro, é preciso garantir bons preços ao produtor. Segundo ele, para conseguir isso o governo está negociando acordos comerciais bilateriais, multilaterais e regionais para facilitar a venda de produtos brasileiros no exterior. Pratini garantiu que o Brasil não vai abrir mais a sua economia, nem fazer concessões no comércio internacional enquanto os produtos agrícolas brasileiros não tiverem o mesmo tratamento. ''Vamos manter a política do toma lá da cá'', afirmou.
O ministro lembrou que o setor dos agronegócios respondeu por 27% do Produto Interno Burto (PIB) no ano passado. Somente a agricultura foi responsável por 8% do PIB. Segundo o ministro, são as condições favoráveis oferecidas à agricultura que permitem que o agronegócio venha mantendo seguidos superávits na balança comercial: foram US$ 12,8 bilhões no ano passado e US$ 17,3 bilhões nos últimos 12 meses.
Pratini também defendeu a concessão de crédito a juros fixos para o setor. ''A indexação dos empréstimos na época da inflação foi um desastre para a agricultura'', disse ele. Cerca de R$ 11,4 bilhões do Plano Agrícola e Pecuário serão liberados com juros fixos de 8,75% ao ano, o que representa um aumento de 41% sobre o ano passado. O ministro destacou que o Plano terá dois novos programas: apoio à produção de flores e financiamento para construção de armazéns nas propriedades.

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