FHC diz que juro só cai depois de maio
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 1999
Da Agências 
O presidente Fernando Henrique Cardoso previu ontem que os juros só devem começar a cair em aproximadamente três meses, conforme relato das representantes do Movimento Nacional das Donas de Casa e Consumidores, que estiveram com ele no Palácio do Planalto.
Segundo elas, o presidente argumentou que a redução dos juros neste momento seria impraticável, pois provocaria um processo de aceleração da inflação. O sacrifício é grande, mas no momento não há como reduzir as taxas de juros, teria dito o presidente.
As representantes das donas de casa disseram que o presidente também se comprometeu a determinar ao presidente do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que é o secretário geral do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, que inclua na pauta da próxima reunião, no dia 23 próximo, a proposta de redução do ICMS para os produtos da cesta básica. O presidente disse-lhes que a redução do ICMS depende de consenso entre os governos estaduais.
A presidente do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Marilena Lazzarini, disse que mostrou a Fernando Henrique um estudo encomendado pelo Programa Comunidade Solidária que mostra que a isenção do ICMS dos produtos da cesta básica não resultaria em um grande impacto fiscal para os Estados, mas proporcionaria um ganho de quase 20% na renda das famílias que ganham até um salário mínimo.
Sobre os juros, o porta-voz da Presidência, Sergio Amaral, não citou prazos. Ele disse que a redução das taxas ocorrerá depois de definido o ajuste fiscal. Amaral disse que a área social terá um tratamento prioritário na avaliação que o Ministério do Orçamento está fazendo para efetuar novos cortes de gastos.
O governo poderá fazer, no contexto do esforço do ajuste fiscal, novos cortes no Orçamento, mas os cortes não necessitam chegar ao volume de R$ 8 bilhões, disse Amaral, mencionando valor citado na pergunta de um jornalista.
Amaral disse ainda que o governo considera prematura a discussão sobre o possível aumento para o salário mínimo, previsto para maio. Amaral disse que está no interesse de todos - consumidores, trabalhadores, empresários e governo - unir esforços, neste momento, para evitar a volta da inflação.
O porta-voz não respondeu diretamente a uma pergunta sobre se o salário mínimo terá aumento vinculado à variação dos preços da cesta básica. A indexação tem de ser afastada o quanto mais possível, porque é a indexação que levaria à inflação, e não a desvalorização do real, não um aumento isolado, de uma só vez, afirmou o porta-voz.
Amaral disse que o impacto sobre a cesta básica tem um caráter sazonal. Nas próximas semanas, esse impacto será revertido pela entrada da safra agrícola, que trará um barateamento de vários itens da alimentação, que integram a cesta básica, afirmou.


