FHC diz que juro é assunto delicado
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terça-feira, 26 de abril de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - ''Os juros não se devem ao comodismo. Esse é uma assunto delicado e mesmo um ex-presidente tem que ter cuidado ao falar porque são vários fatores que influeciam'', afirmou ontem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em Curitiba sobre o comentário feito pelo presidente Lula na segunda-feira de que o brasileiro é comodista e tem que pesquisar a melhor taxa de juros.
Para Fernando Henrique o consumidor pode pesquisar sim. Porém, é preciso lembrar que mudar de um banco para outro implica em taxas, além das vantagens que o cliente perde. ''O Lula está insatisfeito, como eu fiquei, mas tem que olhar para outros lados, como para o banco central e a política econômica'', afirmou. Fernando Henrique esteve ontem em Curitiba para abrir o ciclo de palestras promovido pelo Centro Universitário Positivo (Unicenp).
Em Brasília, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou ontem que é ''nocivo para o País e totalmente injustificável'' o aumento da taxa de juros determinado semana passada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. De acordo com Skaf, que participou de encontro de produtores de café no Hotel Blue Tree, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ''o aumento da taxa Selic alavanca o custo para cima e alavanca os gastos públicos porque um dos gastos principais do governo é o pagamento de juros e esta última decisão custa ao País R$ 2 bilhões ao ano e quase R$ 200 milhões ao mês''. Segundo ele, a decisão do Copom desestimula o investimento e o consumo. (Com AE)


