FHC diz que desvalorização não terá impacto sobre povo
O presidente Fernando Henrique Cardoso usou ontem o programa semanal de rádio para avisar à população que a elevação do dólar em relação ao real não terá impacto direto nenhum sobre o bolso do povo brasileiro. No mesmo programa, que foi ao ar às 6 horas nas emissoras de rádio, mas foi gravado na manhã de segunda-feira, Fernando Henrique justificou que estava desvalorizando o real para não aumentar ainda mais as taxas de juros, que agravaria os problemas do setor produtivo.
Só que, na noite de ontem, o Banco Central (BC), em reunião de emergência, elevou os juros, apesar do governo ter desvalorizado o real, contrariando a tese defendida pelo presidente no programa de rádio.
Depois de reconhecer que o Brasil está enfrentando dificuldades e que as últimas semanas foram difíceis, o presidente tentou explicar aos ouvintes do programa Palavra do Presidente - dirigido à camada menos favorecida da população - que foi preciso desvalorizar o real para garantir a estabilidade da moeda. Por que nós fizemos isso?, indaga, respondendo em seguida, didaticamente. Porque, para evitar isso, teríamos de aumentar ainda mais as taxas de juros, teríamos de penalizar ainda mais aqueles que são produtores do Brasil. Ele acentuou: Diminuiria a oferta de emprego e poderia haver o risco de uma recessão prolongada.
Fernando Henrique acenou com dias melhores na economia brasileira, no segundo semestre. Na opinião dele, o Congresso, aprovando as medidas, as dificuldades serão superadas e as taxas de crescimento, no segundo semestre, vão mostrar ao povo que o esforço valeu. O Brasil vai voltar a ter condições de gerar mais empregos e eu vou ter condições de cumprir o meu programa de governo, prosseguiu.
O presidente reconheceu que, quando se aumenta o dólar, muita gente fica preocupada, mas garantiu que o povo não será afetado.
Aquele que trabalha, aquele que não está sendo obrigado a viajar ou aquele que não compra carro importado - e a imensa maioria não compra carro importado, nem produtos importados - não vai sofrer nenhum efeito do aumento do valor do dólar.
O governo vai continuar olhando, avisou o presidente, repetindo o alerta feito no dia anterior, de que não permitirá exploração, aumento da carestia ou uso do pretexto do dólar para aumentar o preço dos produtos brasileiros, que são feitos com o real e, portanto, não precisam de ter acréscimo algum. Quem conseguiu segurar a inflação nesse nível, certamente não vai deixar que a carestia volte, acentuou o presidente, ao lembrar que lutou contra a inflação quando ela estava em 10%, 20%, 30% e 40% ao mês. Em seguida, o presidente pediu que os governos acertem as contas públicas.
Depois de apelar para os governos conter os gastos, Fernando Henrique passou a explicar os motivos pelos quais está tentando aprovar, no Congresso, a contribuição dos funcionários públicos aposentados e pensionistas, que deverá ser votada ainda esta semana. De acordo com o presidente, não é o trabalhador que está no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que vai pagar essa conta, mas os que ganham mais de 600 reais.Arquivo FolhaPara o presidente, a maioria, que não compra importados, não sofrerá nenhum efeitoAgência Estado





