FHC diz que apagão está mais distante
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segunda-feira, 13 de agosto de 2001
Agência Estado<BR>De Santa Elena de Uairén, Venezuela 
O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu ontem a integração dos países da América Latina, ao inaugurar a linha de transmissão que permitirá ao Brasil importar energia elétrica da Venezuela. ''Integramos ou erramos'', declarou ele, durante solenidade na subestação de Santa Elena de Uairén, cidade venezuelana a cerca de 15 quilômetros da fronteira com o Brasil. Estavam presentes o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o dirigente cubano Fidel Castro.
Fernando Henrique deixou claro que a energia importada com a nova linha de transmissão não se destina diretamente a resolver o problema do racionamento no País. Isso porque servirá para abastecer apenas Roraima, que constitui um sistema isolado. Ele destacou, no entanto, que a obra ''é um bom sinal'' e mostra que está sendo possível avançar. ''O apagão está cada vez mais distante'', disse o presidente.
A cooperação entre os países do continente foi reforçada no ano passado, em Brasília, com a primeira reunião de presidentes sul-americanos, em setembro. Na área energética, o Brasil já importa gás natural da Bolívia e energia da Argentina e do Paraguai. Fernando Henrique citou a hidrelétrica de Itaipu como exemplo de integração na área de infra-estrutura.
O presidente brasileiro destacou a importância do anúncio feito por Hugo Chávez, em abril, sobre seu interesse de integrar a Venezuela ao Mercosul. ''Esta tem sido a decisão que passou a representar um dos principais fatores de impulso da integração sul-americana, na medida em que reforça a vinculação entre o Mercosul e a comunidade andina'', disse Fernando Henrique.
Hugo Chávez devolveu a gentileza, elogiando o discurso proferido por Fernando Henrique em abril, na Cúpula das Américas, no Canadá, em que o presidente brasileiro disse que a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) era uma opção e não um destino. ''Não podem vir a nos impor um modelo econômico e muito menos um modelo de integração.''
A linha de transmissão inaugurada ontem tem, ao todo, 676 quilômetros de extensão, a maior parte do lado venezuelano. O sistema está em funcionamento desde 22 de julho, sob responsabilidade da Eletronorte. Serão beneficiadas 250 mil pessoas em Roraima, que poderá desativar usinas termoelétricas a óleo diesel.
O Brasil pagará à Venezuela US$ 21 milhões este ano e, nos 20 anos de vigência do contrato, US$ 668 milhões. Serão fornecidos até 200 megawatts para Roraima, quase o triplo do consumo de Boa Vista.


