FHC diz que a crise afetou País 'um pouquinho'
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Agência Folha 
O presidente Fernando Henrique Cardoso adotou ontem, em São Paulo, um discurso otimista em relação à economia brasileira. Ele chegou a dizer que os efeitos da crise financeira mundial afetaram um pouquinho o Brasil em 1999. O que sacudiu o México em 95, a Ásia em 97, a Rússia em 98 e um pouquinho o Brasil em 99 foi um descontrole de fluxos financeiros que não estão casados com a economia real, afirmou FHC, durante encontro com o presidente do México, Ernesto Zedillo, na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
A crise financeira mundial, agravada pela moratória da Rússia, provocou perda de cerca de US$ 35 bilhões nas reservas cambiais brasileiras, fez com que o governo elevasse as taxas de juro para até 49% e forçou a desvalorização do real em janeiro último.
Ontem, ao falar sobre os malefícios da globalização, Fernando Henrique voltou a bater na tecla do controle dos fluxos de capitais. Para escapar desse mal-estar que pode ocorrer, não adianta fechar nossas economias. É preciso estabelecer mecanismos crescentes de controle e de transparência desses fluxos de capitais.
Zedillo defendeu uma maior aproximação comercial entre os dois países. Disse que em julho ministros mexicanos e brasileiros vão começar a negociar os termos de um acordo bilateral. Segundo Zedillo, esse acordo seria a base para uma maior integração comercial entre os dois países. Os acordos bilaterais entre Brasil e México venceram em 1997 e não foram renovados. No ano passado, o intercâmbio comercial entre os dois países foi de US$ 1,98 bilhão. As exportações brasileiras para o México totalizaram US$ 1 bilhão, enquanto as importações de produtos mexicanos foram de US$ 974 milhões.


