FHC disse que é preciso saber 'acelerar e parar para respirar'
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sexta-feira, 22 de junho de 2001
Agência EstadoDe Assunção 
O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que o exercício da liderança política requer coragem. Discursando diante de seus colegas presidentes dos países que formam o Mercosul, ele assinalou o que considera iniciativas prioritárias para a consolidação do bloco e deu sua receita para o enfrentamento das dificuldades no processo de integração. Que tenhamos sensibilidade para imprimir o ritmo adequado, acelerando e parando para respirar quando necessário, não porque queiramos parar, mas porque queremos preparar um salto maior.
No último dia da reunião de cúpula dos países do Mercosul, o presidente brasileiro defendeu entendimentos para garantir ao bloco condições de competitividade internacional, inclusive por intermédio de eventuais reduções negociadas da Tarifa Externa Comum (TEC).
Esse é um dos pontos que mais têm causado polêmica entre os países membros do Mercosul, principalmente após decisões recentes da Argentina que levaram prejuízo a outros vizinhos. Fernando Henrique também sugeriu maior efetividade na união aduaneira entre os países do bloco para evitar sua eventual dissolução e negociações para que os países avancem na institucionalização do bloco e persistência no trabalho de coordenação macroeconômica com vistas a tornar efetivos critérios de convergência.
Mais uma vez, o político tucano pediu a seus colegas coesão para enfrentar as negociações com outros blocos econômicos e organizações multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), e também os entendimentos para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Não são tarefas pequenas, exigem grandeza de propósitos e de visão, disse FHC.
A sugestão do presidente uruguaio Jorge Batlle de confiar ao ministro argentino da Economia, Domingo Cavallo, a criação de um sistema monetário regional, surpreendeu os demais chefes de Estado participantes da Cúpula do Mercosul em Assunção. Batlle alegou que a idéia foi só uma expressão de intenções, um desejo, tranquilizando os participantes.
Novos acordosO Conselho do Mercosul aprovou ontem três novos acordos, que contemplam a incorporação do Paraguai à política automotiva comum, o combate ao contrabando e a política ambiental. Ficaram aprovadas as disposições particulares para a incorporação plena do Paraguai ao acordo sobre a política automotiva do Mercosul. Até 2006, os paraguaios poderão importar carros usados e o comércio de veículos estará totalmente liberalizado entre os quatro países integrantes do bloco regional. O Programa de Ação do Mercosul ao Combate de Ilícitos no Comércio Internacional também recebeu o sinal verde dos presidentes do bloco. O Conselho aprovou ainda um acordo básico para regulamentar as ações de proteção ao meio ambiente e à conservação dos recursos naturais, de acordo com os princípios enunciados na Declaração do Rio de Janeiro sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992.


