FHC deve implantar ''renda mínima''
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terça-feira, 15 de dezembro de 1998
Vânia Casado 
A política de renda mínima para o pequeno produtor começa a ganhar força, no governo, como instrumento de apoio ao setor agrícola. Se ela for adotada, o presidente Fernando Henrique Cardoso estará sinalizando que o ciclo de 50 anos de abandono da Agricultura estará chegando ao fim, afirmou, ontem, Roberto Rodrigues, presidente da Aliança Cooperativa Internacional.
Rodrigues esteve em Curitiba, na Ocepar, na teleconferência que marcou o lançamento da Campanha de Valorização do Cooperativismo. Também participaram da solenidade, o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras, Dejandir Dalpasquale, e o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski.
O programa de renda mínima na Agricultura faz parte de um elenco de sugestões apresentadas pelo Fórum Nacional da Agricultura ao presidente da República, em setembro. Essa medida representa uma solução para a situação do pequeno agricultor que não consegue margem de renda por falta de escala.
Se o agricultor não tem renda com sua atividade, a solução é criar subsídios para que ele permaneça no campo produzindo, justificou. A receita para a renda mínima viria da tributação dos importados, aponta o documento.
Rodrigues disse ter certeza que o presidente FHC vai implementar as medidas sugeridas no Fórum. Segundo ele, o conceito de que a agricultura é sinônimo de país atrasado e que o moderno é representado apenas pelos segmentos industrializados já foi revertido. Hoje já existe a consciência de que o apoio à agricultura moderna levará o país ao desenvolvimento. Rodrigues acrescentou que a permanência do ministro Turra no cargo é um indicativo de que FHC está disposto a implementar mudanças.
Rodrigues admite que muitas medidas sugeridas pelo Fórum são incompatíveis com a política econômica. Mas lembrou que outras medidas podem ser implementadas já, diante da negativa da equipe econômica de mexer no câmbio ou promover a redução drástica dos juros. Ele citou como exemplo a desoneração do ICMS da cesta básica, que criaria uma superdemanda para produtos como leite, carne e grãos. Para Rodrigues o governo deveria fortalecer o mercado interno que é amplo.
Outra questão levantada por Rodrigues é o endividamento dos produtores, cujo pagamento ele admite que é inviável. Sugeriu um rebate na dívida dos agricultores através do pagamento com títulos do Tesouro pelo valor de face. Rodrigues concluiu, dizendo que a agricultura é o único segmento que poderá levar o País ao desenvolvimento sustentado. Os países europeus não protegem seus agricultores porque são ricos. Ao contrário, ficaram ricos porque protegeram seus agricultores, finalizou.


