O presidente Fernando Henrique Cardoso negou ontem que o governo esteja planejando adotar medidas econômicas durante o carnaval. Durante solenidade no Palácio do Planalto, na qual sancionou a lei que dispõe sobre o nome genérico dos remédios, o presidente fez um pronunciamento de improviso e disse que ‘‘o carnaval é uma época fértil para mentir ao povo, mas também é uma época necessária para que se diga a verdade, que não vai acontecer nada de diferente no Carnaval, a não ser o que sempre acontece em nossos carnavais: os que podem se dar ao luxo de bailar, bailam; outros, que não podemos, não bailamos; mas, de qualquer maneira, aproveitamos para explicar que não há razão para inquietar a população a respeito de qualquer medida que o governo eventualmente vá tomar porque não vai tomar medida alguma que possa afetar quem quer que seja na direção que os especuladores desejam’’.
FHC afirmou que nada justifica que a valorização do dólar venha a ‘‘contaminar toda a cadeia’’ da economia. Para o presidente, os abusos nos aumentos de preços constituem ‘‘falta de responsabilidade social’’ do agente econômico que os promove. Ele afirmou que ‘‘é preciso haver base moral de apoio à sociedade, porque esses aumentos de preços são imorais’’. Ele disse que ‘‘numa sociedade desigual, só com mobilização dos consumidores é possível enfrentar esses abusos’’.
Sobre a possibilidade de o governo vir a adotar algum tipo de controle de preços, o presidente assegurou que não pensa em dar ‘‘passos atrás’’, porque não adianta controlar preços, isso gera mercado negro e desabastescimento. ‘‘Não é por aí, mas o governo não vai ficar de braços cruzados’’, assegurou.

mockup