FHC descarta alta dos juros e moratória
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sexta-feira, 21 de agosto de 1998
Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso não pretende alterar as taxas de juros, em resposta à crise financeira internacional, que provocou baixa nas bolsas de valores em todo o mundo, inclusive no Brasil. O presidente acha que não há necessidade de tocar nas taxas de juros no momento, disse ontem o porta-voz adjunto do Palácio do Planalto, Georges Lamaziere. Fernando Henrique manteve-se informado, durante todo o dia, sobre a movimentacao das bolsas. Pela manhã, esteve reunido com o ministro da Fazenda, Pedro Malan.
O ministro Malan disse, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que a crise é um fenômeno mundial, e não tem relação com as bases da economia brasileira. A turbulência mundial das bolsas não é expressão da preocupação dos investidores externos com os fundamentos da economia brasileira, que estão hoje mais sólidos do que estavam por ocasião da eclosão da crise da Ásia, analisou o ministro.
Na avaliação de Malan, a crise diz respeito ao funcionamento do sistema financeiro internacional, e vem afetando países em desenvolvimento e os países desenvolvidos. Esse fenômeno não é, portanto, derivado da situação econômica interna do Brasil, concluiu.
Essa análise foi repetida, com as mesmas palavras, pelo
porta-voz adjunto do Palácio do Planalto. É uma coisa que tem a ver com a situação financeira internacional, não tem nada a ver com a situação específica interna do Brasil, disse Lamaziere.
O porta-voz adjunto negou, também, que o presidente
Fernando Henrique tenha orientado o Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Economico e Social (BNDES), a comprarem ações no mercado, de modo a reverter a queda registrada nos índices das bolsas de valores. Não houve nenhuma determinação nesse sentido, afirmou.
Ele disse, também, que o governo não cogita nenhuma
medida em resposta à crise ocorrida ontem. No entanto, segundo informou, o Banco Central vem monitorando de perto o desempenho do mercado financeiro. Ele negou que o governo brasileiro esteja cogitando decretar moratória da dívida externa. Não há nenhuma consideração dessa possibilidade, e não há necessidade de considerá-la, afirmou.
Na avaliação do governo, a queda na cotação dos papéis da
dívida externa brasileira, especialmente os C-Bonds, também não deve ser relacionada a alguma preocupação específica dos investidores internacionais com relação a economia brasileira.


