Desta vez a culpada não foi a Argentina, onde aliás o mercado esteve fechado por causa de feriado local. A nova denúncia trazida pela Folha de S.Paulo que envolve diretamente o presidente Fernando Henrique Cardoso, provocou outro estrago nas bolsas de valores. O Ibovespa despencou 4,95%, acumulando perda de 9,59% em apenas dois pregões. Das 57 ações que compõem o índice da carteira teórica paulista, nenhuma fechou em alta.
O Banco Central impediu uma alta maior do dólar nesta terça-feira, ao atuar no mercado de câmbio vendendo a moeda norte-americana nos períodos da manhã e da tarde. Operadores não sabiam avaliar quanto o BC vendeu, mas era consenso entre eles que a atuação do BC levou traders a também despejarem dólares no mercado à tarde. ‘‘Quem comprou de manhã, no meio do turbilhão, achando que o BC deixaria o mercado livre, acabou tendo que vender à tarde’’, disse um operador.
Mesmo assim, o dólar fechou em alta de 0,58%, cotado a R$ 1,7350. A máxima do dia atingira R$ 1,7590, representando uma alta de 1,97% em relação ao fechamento de anteontem. Também no mercado de câmbio, o principal motivo que fez o dólar disparar foi a reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo que tenta mostrar que o presidente Fernando Henrique Cardoso teria tomado partido de um dos grupos no leilão de privatização da Telebrás, realizado no ano passado.
Operadores lembram que, antes mesmo da reportagem, o cenário para o câmbio já era de alta. Primeiro, por causa do viés de alta para os juros nos Estados Unidos. Segundo, por causa dos problemas na economia argentina. Terceiro, porque esses dois fatores juntos levaram parte do mercado de câmbio a buscar hedge tanto no dólar à vista como no câmbio futuro.
Quarto, porque há um forte volume de vencimentos (calculados em torno de US$ 3 bilhões até o final de junho) que deverão ter sua renovação complicada em virtude da crise na Argentina. Quinto, porque a bolsa de Nova York vem mostrando fortes quedas. Sexto, porque a continuidade da recuperação da economia brasileira não pode prescindir de um cenário político-econômico estável interna e externamente. ‘‘Agora vem o grampo do BNDES’’, comentou um operador.
A reportagem envolvendo o presidente Fernando Henrique Cardoso no caso da Telebrás também afetou o mercado de juros, sobretudo na parte da manhã. O que se viu foi uma queda de quase 200 pontos no PU agosto - preço do contrato de DI de maior liquidez na BM&F - com consequente alta forte na projeção de juros. Também por conta do impacto da reportagem, as taxas pedidas pelas instituições financeiras para o leilão de títulos prefixados do Tesouro foram salgadas. Mas, desta vez, ao contrário do que ocorreu na quinta-feira passada, o Tesouro vendeu os papéis mesmo assim. O juro máximo foi de 24,86% ao ano e o médio, de 24,58%, taxas que correspondiam à curva do mercado futuro naquele momento.

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