O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem medidas para afastar as resistências políticas à privatização do setor elétrico e garantiu que o processo de desestatização não será interrompido. Em relação a Furnas, o presidente explicou que a diretoria da empresa continuará sendo indicada pelo governo, mas que a gestão será profissional, como ocorre hoje com a Petrobrás. Adiantou que a Eletrobrás continuará tendo participação nas empresas de energia da Região Norte e parte dos recursos obtidos com a venda da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) será destinada para as obras de transposição das águas do rio São Francisco.
O presidente convocou a imprensa para explicar o novo modelo de venda do setor elétrico, que foi anunciado à bancada do PSDB na quinta-feira. Segundo ele, o governo está estudando o uso de parte dos recursos do FGTS para que os trabalhadores possam participar da privatização de Furnas ‘‘de maneira que possa haver uma presença maior da sociedade, das pessoas que trabalham e têm poupança neste processo e privatização’’.
Para vencer as resistências políticas à venda dos ativos da Chesf, o presidente anunciou que serão mantidos na estatal os reservatórios das usinas hidrelétricas de Sobradinho e Itaparica, na Bahia. ‘‘Concordamos com isso no Conselho Nacional de Desestatização e eu endosso a decisão’’, afirmou. Ele lembrou que a questão central no caso da Chesf é o controle das águas e a decisão visa a garantir que a usina de Xingó terá água suficiente para gerar energia.
Além disso, Fernando Henrique revelou que parte dos recursos arrecadados com a privatização da Chesf serão utilizados nas obras de transposição do Rio São Francisco. Para tentar tranquilizar os setores políticos da Bahia contrários a ao projeto de transposição, o governo fará estudos para incluir a bacia do Araguaia/Tocantins. A idéia é ligar o rio do Sono, afluente do Tocantins, ao rio São Francisco. ‘‘Se for viável, e acreditamos que seja, porque esse canal (de transposição) não é muito comprido, isso resolve a aflição dos reservatórios de água para o Nordeste’’, explicou o presidente, lembrando que as questões ambientais envolvidas serão respeitadas.
Sobre Furnas, o presidente afirmou que não haverá cisão da estatal em duas empresas de geração, como se cogitava inicialmente. A nova orientação será separar apenas a área de transmissão. Segundo o modelo que está sendo elaborado pelo Ministério de Minas e Energia, a parte de transmissão será incorporada pela Eletrobrás.
Ele reafirmou que com a pulverização das ações, a direção da empresa será profissionalizada. ‘‘A direção será indicada pelo governo’’, garantiu o presidente, que citou a Petrobrás como exemplo a ser seguido. ‘‘Demos um traço marcantemente empresarial à gestão da Petrobrás e os resultados têm sido expressivos’’.

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