FHC defende eixo industrial Brasil-Argentina
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quinta-feira, 29 de junho de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu ontem a criação de um pólo industrial forte no Brasil e Argentina para servir de referência aos países da América do Sul e, com isso, evitar que a região repita o modelo de maquila adotado por outras regiões como forma de inserção na economia internacional. FHC se referia à falsa industrialização existente em determinados países, que se restringem a fazer a montagem final dos manufaturados, sem condições de sustentar o processo produtivo completo.
O modelo de maquila não serve para a América do Sul, mas também sabemos que precisamos aumentar nossas exportações de manufaturados se quisermos ocupar um espaço maior no mundo globalizado, afirmou o presidente durante encontro com representantes de 190 empresas brasileiras que possuem negócios na Argentina. Durante o encontro, o presidente recebeu um projeto detalhado da abertura de uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para cerca de 64 empresas brasileiras consolidarem sua presença no mercado argentino.
Fernando Henrique disse que vai começar essa discussão com os demais 11 presidentes dos países sul-americanos durante a cúpula de chefes de Estado da região convocada pelo governo brasileiro para 31 de agosto e 1º de setembro, em Brasília. O presidente acha que a formação de um eixo de industrialização no Brasil e Argentina, os dois maiores sócios do Mercado Comum do Sul (Mercosul), poderá dar maior competitividade à região. Ele reforçou ainda a importância das empresas sediadas no Mercosul começar a disputarem terceiros mercados.
Os empresários brasileiros saíram do encontro esperançosos de que a partir do próximo ano poderão contar com financiamento de longo prazo do BNDES para expandir seus negócios na Argentina. Essa linha de crédito, pioneira para o BNDES, deverá oferecer cerca de US$ 3 bilhões para 64 empresas.


