O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu ontem, na cerimônia de lançamento da Cédula da Terra - programa de financiamento para a aquisição de terras por grupos de assentamentos para efeito de reforma agrária - a necessidade de barateamento dos custos de assentamento na terra, considerando os níveis atuais desses custos como ‘‘astronômicos’’. ‘‘Não adianta dar acesso à terra para aumentar a clientela do Estado’’, disse o presidente, referindo-se à sua preocupação de que os trabalhadores rurais assentados não perpetuem uma relação de dependência pela assistência estatal. ‘‘Não podemos imaginar que seremos um país de funcionários públicos no campo; temos que ser um país de produtores rurais com todo apoio do governo’’, sem reconhecer que é quase a mesma coisa.
O presidente disse que o BNDES vai dispor de R$ 1 bi para o financiamento do acesso à terra numa nova modalidade de crédito para os assentados que não chegou a especificar. O programa Cédula da Terra vai permitir o assentamento de mais 15 mil famílias além das 280 mil previstas no plano de metas do governo até o final de 1998. Além do aumento do número de assentados, o programa vai possibilitar também, segundo o ministro extraordinário de Política Fundiária, Raul Jungmann, a redução do custo dos assentamentos que dos atuais R$ 22 mil, por família, deverão variar de R$ 10 mil a 12 mil. O novo programa consiste em uma linha de financiamento do Banco Mundial para que grupos de assentados. O prazo de pagamento é de dez anos.

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