FHC culpa previdência de servidor por déficit e anuncia alta da CPMF
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terça-feira, 27 de outubro de 1998
Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso confirmou ontem, em pronunciamento feito em cadeia nacional de rádio e TV, que o governo vai aumentar um pouco da contribuição dos servidores públicos para a sua Previdência, da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Informou ainda que outras medidas serão anunciadas hoje - sem detalhá-las -, que deverão cortar o mal pela raiz.
O presidente não informou de quanto serão os aumentos, mas garantiu que a maioria dos cortes orçamentários e do aumento de impostos serão suspensos tão logo o governo consiga um maior equilíbrio em suas contas. Segundo o presidente, o governo propôs ao governo um corte de R$ 8,7 bilhões no orçamento do próximo ano e este será o limite do corte. Ir além disso, significaria paralisar atividades essenciais do Estado.
Fernando Henrique pediu que o Congresso vote, em regime de urgência as reformas constitucionais e o ajuste fiscal. Se implantarmos o programa de estabilidade fiscal com urgência, já no início do próximo ano viveremos novamente sob o clima de tranquilidade e confiança na economia, argumentou.
Quanto antes essas mudanças forem feitas, menor será o seu custo e mais rapidamente baixarão as taxas de juros, aumentarão os investimentos, serão gerados mais empregos e o País retomará sua trajetória de crescimento.
O presidente encerrou o discurso lembrando que foi eleito para defender o real, preservar o poder de conta dos assalariados, proteger a economia da ameaça dos capitais especulativos, prosseguir nas reformas e ampliar os programas sociais. Não abro mão desses compromissos, alertou ele. Não vacilarei em cumprir a vontade do povo.
Durante seis minutos, o presidente explicou os efeitos da crise internacional e os problemas de caixa do governo. Comparou a ação do governo para equilibrar seu orçamento aos cuidados que uma dona-de-casa toma para não gastar mais do que ganha.
O presidente apontou o déficit de R$ 42 milhões da Previdência Social como principal responsável pelo déficit público, porque é a área onde se gasta mais e arrecada menos.Fernando Henrique acrescentou que dos R$ 42 bilhões, R$ 7,8 bilhões são do setor privado para beneficiar 18 milhões de pessoas e R$ 18 bilhões do setor público, para beneficiar 905 mil pessoas. Então, está se vendo que o grande problema é o da Previdência Pública.
Fernando Henrique tomou cuidado de anunciar à população que não autorizou qualquer modificação no Imposto de Renda da pessoa física, na contribuição dos trabalhadores para o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e nem em impostos que acabam recaindo sobre os mais pobres. Vamos adotar medidas equilibradas, um pouco em cada área, e sempre com a preocupação de proteger os mais pobres.
O presidente enfatizou ainda que o caminho mais curto para equilibrar as contas do governo é a aprovação da reforma da Previdência e da reforma tributária com toda urgência. Não tem sentido o Brasil continuar com um rombo de R$ 42 bilhões na Previdência Social, crescendo a cada ano, argumentou. Não há justificativa para que alguns estados gastem 80% da sua receita em salário para funcionários públicos.ReproduçãoSituação-limiteFernando Henrique, ontem, em cadeia nacional de rádio e televisão, disse que o País não pode manter um sistema tributário que desincentiva quem produz: Temos que cortar o mal pela raizPresidente confirma alta do imposto do cheque, Cofins e contribuição dos servidores ao INSS. Malan detalha medidas hoje


