FHC condena reajuste geral de salários
Agência Estado
De Havana
O presidente Fernando Henrique Cardoso descartou ontem o reajuste geral de salários em razão do aumento da inflação no Brasil. Segundo o presidente, não há problema se algumas empresas negociarem individualmente aumentos para seus trabalhadores. O que não pode é haver (reajuste) geral, disse. Geral não, porque não cabe, acrescentou. Em entrevista aos jornalistas brasileiros, ontem em Cuba, o presidente voltou a condenar o aumento abusivo de preços e conclamou a população brasileira a uma união contra o abuso.
Fernando Henrique mandou ainda um recado aos empresários do País: Não é o momento de estar aumentando preços, porque aumentar preços, aumenta juros, e aumentar juros diminui a taxa de crescimento, o que não é bom para o País. Segundo o presidente se alguns setores empresariais têm uma boa margem de produtividade que permite uma acomodação de preços, não precisam transferir (o aumento) para o preço final.
O presidente avisou que o governo tem mecanismos suficientes para evitar o abuso no aumento de preços de produtos. A regra é de mercado, mas o governo tem mecanismos suficientes para evitar que haja descompasso, disse, sem citar que mecanismos são esses. Segundo o presidente, a equipe econômica tem feito pesquisas para descobrir os setores que estão praticando aumentos abusivos de preços e a divulgação dos meios que o governo pretende utilizar para coibir o abuso poderia prejudicar a ação.
Depois de afirmar que salário é o preço da força de trabalho, Fernando Henrique explicou que os aumentos salariais só podem ser negociados individualmente porque é preciso levar em consideração o estado de desenvolvimento de cada setor. Mas eu acho muito bom que as empresas que possam pagar melhor, que paguem melhor, comentou. Acho até muito bom que haja um acerto entre os trabalhadores e os empresários, insistiu.
Ao pedir a união da população contra o aumento abusivo de preços no País, o presidente negou que esteja fazendo apelo por um pacto nacional. Pacto é uma palavra desgastada, explicou o presidente. Mas acho que é a consciência de cada um dos brasileiros, no sentido de que não se deve aceitar aumentos abusivos de preços e o governo vai agir também. Fernando Henrique, que ontem admitiu a preocupação do governo com a possível volta da inflação no Brasil, disse que o momento é de união.
O Brasil passou por muitas dificuldades, foi muito difícil nós superarmos boa parte das dificuldades, o povo sofreu e agora é hora de a gente retomar o crescimento, afirmou, completando: Não é hora de abusar. Para o presidente, o que houve até agora e que refletiu no aumento da inflação foram reajustes de tarifas, como a da energia elétrica e dos combustíveis. Foi uma vez, não é toda hora, completou.
O presidente lembrou que no começo deste ano, quando o governo provocou a desvalorização do real com a mudança cambial, foi muito mais difícil controlar a inflação, e o governo contou com a reação da população. Houve uma reação da dona de casa, da pessoa que vai fazer uma compra, do homem, da mulher, comentou, acrescentando: Havia especulação e a população resistiu à especulação; tem de fazer a mesma coisa agora.
AS PRINCIPAIS CONCESSÕES
- As firmas estrangeiras do setor das telecomunicações poderão possuir 50% das companhias chinesas
- Os direitos de alfândega para os carros fabricados no exterior vão passar dos 100% atuais a 25%, segundo Washington.
- China reduzirá direitos de alfândega, de 22,1% para 17%
- Redução suplementar de tarifas sobre os produtos agrícolas que interessam especialmente aos Estados Unidos
- Eliminação progressiva do comércio estatal do óleo de soja
- Eliminação das subvenções chinesas à exportação
- Autorização para as companhias americanas que queiram propor créditos automobilísticos
- Maior acesso ao setor bancário chinês, ao setor de seguros e das telecomuncações para as empresas americanas.
- Autorização para os exportadores americanos distribuírem diretamente seus produtos na China
- Maior acesso ao mercado chinês de profissões liberais como advogados, contadores ou médicos.
- Duplicação do número de filmes estrangeiros importados, na base de uma divisão de lucros. Em vez dos 10 atuais serão 20 por ano.





