FHC comemora aniversário do plano com lançamento de moedas
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terça-feira, 30 de junho de 1998
Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso vai transformar as comemorações do aniversário do real em um grande evento eleitoral. Em 94, foi lançada uma nova moeda. Hoje, será lançada a nova coleção de moedas do real, que custou aos cofres públicos R$ 326 milhões. Hoje, como em 94, quando era candidato à Presidência, a meta de FHC é a mesma: fazer do real o carro-chefe do programa de reeleição.
Além de lançar a coleção de novas moedas do real, que começam a circular hoje, o governo mandou distribuir 30 mil cartazes pelo País, exibir vídeos nas TVs e dependurar painéis gigantes nos prédios dos ministérios - toda a propaganda afirma que o País mudou após o plano.
A Agência Folha apurou que a Secretaria de Comunicação Social, ligada ao Palácio do Planalto e responsável pela publicidade do aniversário, proibiu a divulgação dos custos da campanha. O mesmo ocorreu no Banco Central, no Banco do Brasil e na Caixa Econômica - que nada informaram, apesar de terem custeado as peças publicitárias.
No Banco Central, a orientação foi para procurar o secretário de Relações Institucionais da entidade, Gerson Bonani, que não atendeu as ligações telefônicas. A agência Atual Propaganda, com sede em Brasília, foi encarregada pelo Banco Central de elaborar toda a publicidade a respeito das novas moedas e do real. A reportagem procurou a sócia-diretora da empresa, Patrícia Figueiredo, mas não foi atendida, embora tenha deixado três recados.
O centro das comemorações dos quatro anos do Plano Real, hoje, em Brasília, será a solenidade de substituição das moedas. Em uma festa, organizada pelo Banco do Brasil, no centro do treinamento da instituição, FHC, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, farão um balanço sobre os efeitos do plano na sociedade.
Na semana passada, o governo elaborou um documento detalhando as realizações durante os quatro anos do real e divulgou o material por meio da Internet. Nele, FHC apontou ontem um erro: o número de livros didáticos distribuídos foi de 116 milhões ano passado, e não 64,7 milhões. No evento de hoje, a divulgação será didática: por meio de vídeos, o governo pretende mostrar que a população aprova o plano.
FHC começou desde ontem a divulgar os efeitos do real. Após usar o programa semanal de rádio, que vai ao ar todas as terças-feiras, ele falou durante 50 minutos para um grupo de oficiais militares, reunidos no Planalto, destacando as vantagens do plano.
O mesmo discurso deverá ser repetido hoje, quando FHC dirá que o governo, por meio do real, conseguiu superar os efeitos de várias crises econômicas, como a do México (em 1994) e a da Ásia (em 1997), diminuiu em dez pontos percentuais os níveis de pobreza e aumentou o salário médio dos trabalhadores.


